Questão 89 do ENEM 2025 — História
TEXTO I
Eu escolhi Bezalel e lhe dei competência e habilidade para fazer todo tipo de trabalho artístico; para fazer desenhos e trabalhar em ouro, prata e bronze; para lapidar e montar pedras preciosas; para entalhar madeira; e para fazer todo tipo de artesanato.
BÍBLIA. Êxodo 31, 2-5. São Paulo: Paulinas, 2005.
TEXTO II
Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras.
BÍBLIA. Atos 7, 22. São Paulo: Paulinas, 2005.
TEXTO III
Se conhecêsseis a ciência certa, logo renunciarias à ostentação.
ALCORÃO. Sura 102, 5. São Paulo: Tangará, 1975.
Escritos em temporalidades diferentes (Antiguidade e Idade Média), os textos sagrados aproximam-se ao mostrar o papel da ciência para o(a)
Resolução comentada
Os três textos são religiosos e de épocas distintas. Os dois primeiros, do Antigo e do Novo Testamento, vêm da tradição judaico-cristã; o terceiro é do Alcorão, texto sagrado do islamismo, que se formou na Idade Média (século VII). O enunciado pede o que os aproxima, apesar da distância temporal e de religiões diferentes.
Observe o que cada um diz. No Êxodo, Deus dá a Bezalel “competência e habilidade” para trabalhos artísticos e artesanais com ouro, prata, bronze, pedras e madeira, isto é, conhecimento técnico para fazer ofícios. Em Atos, Moisés é educado em toda a sabedoria egípcia e se torna “poderoso em palavras e obras”, o que liga saber a ação. No Alcorão, quem conhece “a ciência certa” renuncia à ostentação, uma atitude de conduta. Em todos, o conhecimento e a ciência aparecem como valores que qualificam as pessoas para agir, trabalhar e viver bem em comunidade, ou seja, ligados ao desenvolvimento social e às práticas laborais.
Os distratores trazem temas que os textos não abordam. O surgimento de universidades e escolas confessionais é um fenômeno medieval cristão posterior e o texto não o trata. “Crescimento religioso e movimentos sectários” e “avanço da intolerância e rivalidades nacionais” contradizem o tom valorizador do conhecimento. E “preservação das tradições e rituais místicos” se afasta do que se pede: os textos exaltam o saber aplicado e a sabedoria, e não a manutenção de ritos.