Questão 90 do ENEM 2025 — História
Em 1914, uma expedição estudantil saiu da Rússia em direção à América do Sul, sendo considerada a segunda campanha científica da Rússia no continente depois da longa viagem do barão Langsdorff pelo interior do Brasil na primeira metade do século XIX. O empreendimento foi enviado pelo Museu de Antropologia e Etnografia de São Petersburgo e integrado por cinco jovens cientistas, sendo dois zoólogos, dois etnógrafos e um antropólogo, cujo objetivo era a coleta de material de valor biológico e etnográfico para compor coleções nas instituições que participaram de seu financiamento. A expedição passou por países como Brasil, Paraguai e Argentina, resultando em amplo material manuscrito e algumas publicações, além dos objetos coletados.
CARNEIRO, L. A. F. A Rússia no Brasil do início do século XX. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 2015 (adaptado).
Além do significado científico, o evento mencionado conectava-se a um projeto nacionalista de caráter
Resolução comentada
O texto relata uma expedição científica enviada pela Rússia à América do Sul em 1914, composta por zoólogos, etnógrafos e um antropólogo, com o objetivo de coletar material biológico e etnográfico para coleções de museus. O contexto é o da virada do século XIX para o XX, quando as potências europeias consolidavam o neocolonialismo e a ciência, nas áreas de história natural e antropologia, estava intimamente ligada a esse movimento.
A questão pede o caráter do projeto nacionalista a que a expedição se conectava, além do valor científico. No período imperialista, as grandes nações disputavam prestígio, e formar coleções de objetos, plantas, animais e artefatos de povos de outros continentes era uma forma de afirmar poder e superioridade, de conhecer para dominar e de mostrar ao mundo a capacidade científica nacional. Isso é uma faceta imperialista e colonizadora da ciência: o saber como instrumento de projeção externa, mesmo sem ocupação territorial direta.
Veja por que as outras não servem. O caráter “militar e disciplinador” não aparece: não se trata de uma campanha armada. “Lúdico e filantrópico” e “religioso e humanitário” se afastam do texto, que fala de coleta científica para museus, e não de lazer, caridade ou missão religiosa. “Mercantil e predatório” é a mais tentadora, já que há retirada de objetos, mas o texto enfatiza o valor científico e nacionalista das coleções, e não o lucro comercial.