Questão 78 do ENEM 2025 — História

A Roda dos Expostos de Salvador (Bahia) data de 1726 e foi uma das instituições implantadas com o objetivo de acolher e prover um encaminhamento para a criança recém-nascida abandonada. Essa assistência fundamentava-se em práticas caritativas, paternalistas e imediatistas que visavam ao cuidado básico da criança e, especialmente, à salvação da sua alma, via batismo, devido à alta mortalidade.

BORRIONE, R.; CHAVES, A. M. Análise documental e contexto de desenvolvimento. Disponível em: www.scielo.br. Acesso em: 15 ago. 2013.

A instituição apresentada no texto justificava-se pelo(a)

A
defesa de direitos humanos.
✓
preceito de natureza sociorreligiosa.
C
reconhecimento de vínculos familiares.
D
discurso de cunho técnico-científico.
E
ideologia de caráter abolicionista.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

A Roda dos Expostos era um dispositivo giratório, em geral embutido no muro de Santas Casas de Misericórdia, em que se depositavam recém-nascidos abandonados sem que a pessoa que os deixava fosse identificada. A de Salvador, de 1726, foi uma das primeiras do Brasil colonial, período em que a sociedade era profundamente marcada pelo catolicismo e pelo Padroado, que unia Estado português e Igreja.

O texto deixa claro o fundamento da instituição: práticas “caritativas, paternalistas e imediatistas” e, “especialmente, a salvação da sua alma, via batismo, devido à alta mortalidade”. Ou seja, o que justificava a roda era a caridade cristã e a preocupação religiosa com a salvação, em um preceito ao mesmo tempo social, porque assistia crianças desamparadas, e religioso, porque buscava garantir o batismo. É exatamente isso que a alternativa que fala em “natureza sociorreligiosa” expressa.

Perceba por que as outras não servem. Falar em “defesa de direitos humanos” é anacronismo: a noção moderna de direitos da criança é posterior. “Reconhecimento de vínculos familiares” contraria a própria lógica da roda, que servia justamente ao abandono anônimo. “Discurso técnico-científico” também não cabe, pois o texto fala de práticas caritativas e batismo, não de saberes médicos ou pedagógicos. E “ideologia abolicionista” não tem relação com o tema: a escravidão era plenamente vigente no século XVIII e a roda não a questionava.

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