Questão 77 do ENEM 2025 — Geografia
Carro elétrico, uma miragem ecológica

A mudança para a eletromobilidade de fato promove uma alteração no consumo de recursos naturais. Hoje, amplamente dependentes do petróleo, nossos modais de transporte poderiam se tornar cada vez mais dependentes de trinta metais raros. Gálio, tântalo, cobalto, platinoides, tungstênio, metais de terras-raras: uma mina contém apenas ínfimas quantidades desses metais dotados de fabulosas propriedades eletrônicas, ópticas e magnéticas.
PITRON, G. Revolução tecnológica, transformação geopolítica. Disponível em: https://diplomatique.org.br. Acesso em: 10 dez. 2018.
No que se refere ao desenvolvimento sustentável, a charge e o texto indicam uma contradição no uso da tecnologia alternativa derivada do seguinte aspecto:
Resolução comentada
A charge mostra dois cenários separados por um muro. À esquerda, um carro elétrico verde circula em um ambiente limpo, ensolarado e arborizado, com um homem de terno observando. À direita, do outro lado, aparecem figuras que lembram mineradores, cobertas de fuligem, arrastando um grande fio vermelho em meio a fumaça e escuridão, ligado a uma tomada. A mensagem é que a limpeza da eletromobilidade em um lugar esconde a degradação ambiental que ocorre em outro, onde se extraem os insumos.
O texto de Guillaume Pitron reforça essa leitura: os carros elétricos dependem de cerca de trinta metais raros (gálio, tântalo, cobalto, terras-raras e outros), presentes em quantidades ínfimas em cada mina. Obter pouco metal exige minerar muito, o que gera grande impacto ambiental. Esses metais são recursos minerais não renováveis, que se esgotam e não se regeneram em escala humana de tempo.
A contradição com o desenvolvimento sustentável está aí: uma tecnologia apresentada como alternativa ecológica troca a dependência do petróleo, outro recurso não renovável, pela dependência de minérios escassos, cuja exploração é poluente. Por isso a alternativa que aponta a necessidade de fontes não renováveis é a correta.
Os demais itens não decorrem dos documentos. Nem a charge nem o texto tratam de padronização produtiva, de mão de obra qualificada ou de fragilidade da legislação industrial. E a ideia de “materiais recicláveis” vai no sentido oposto: se o recurso fosse reciclável, não haveria a contradição denunciada.