Questão 53 do ENEM 2024 — Filosofia
Ubuntu é um sistema de crenças, uma epistemologia, uma ética coletiva e uma filosofia humanista espiritual do sul da África. É mais um fundamento ético coletivo do que qualquer outra coisa, embora também seja considerado uma forma de filosofia e epistemologia africanas nativas. É uma forma ética de conhecer e de ser em comunidade. É muito menos um conceito abstrato do que uma expressão coletiva cotidiana de experiências vividas, centradas em uma ética comunitária do que significa ser humano. Ubuntu é uma abreviação de um provérbio da África do Sul: uma pessoa é uma pessoa por meio de seu relacionamento com outros.
SWANSON, D. Ubuntu, uma alternativa ecopolítica à globalização econômica neoliberal. IHU Revista do Instituto Humanitas Unisinos, n. 353, dez. 2010.
A perspectiva filosófica africana apresentada no texto contrasta com as formulações éticas da tradição eurocêntrica porque
Resolução comentada
A questão pede que você compare a filosofia africana Ubuntu, descrita no texto, com a tradição ética eurocêntrica. O contraste está em que o Ubuntu valoriza os vínculos de intersubjetividade, isto é, a relação entre as pessoas.
O texto define o Ubuntu como "uma forma ética de conhecer e de ser em comunidade" e o resume no provérbio "uma pessoa é uma pessoa por meio de seu relacionamento com outros". Ou seja, a identidade e a humanidade de cada um nascem do convívio, do reconhecimento mútuo e da responsabilidade coletiva, e não de uma essência isolada.
A tradição eurocêntrica moderna, ao contrário, costuma partir do indivíduo racional e autônomo (como no "penso, logo existo" cartesiano ou na liberdade individual do liberalismo) e daí constrói a ética. Para o Ubuntu, o ponto de partida é o outro e a comunidade: a pessoa se forma na relação.
A resposta é a valorização dos vínculos de intersubjetividade. As demais opções descrevem justamente o que a tradição eurocêntrica enfatiza: os padrões de identidade, as condições de liberdade, os atributos de individualidade e os elementos de racionalidade. O texto trata o Ubuntu como "muito menos um conceito abstrato" e mais uma experiência vivida e coletiva, de modo que essas características não o distinguem.