Questão 53 do ENEM 2024 — Geografia
A finalidade mais marcante em toda a história dos mapas, desde o seu início, teria sido a de estarem sempre voltados à prática, principalmente a serviço da dominação, do poder. Sempre registraram o que mais interessava a uma minoria, fato este que acabou estimulando o incessante aperfeiçoamento deles.
No texto, a cartografia é apresentada como um instrumento usado essencialmente para a
Resolução comentada
O texto faz uma leitura crítica da história da cartografia: segundo o autor, os mapas sempre estiveram "voltados à prática, principalmente a serviço da dominação, do poder", e registraram o que interessava a "uma minoria". Essa visão se liga à geografia crítica, que mostra que o mapa não é neutro: ele seleciona, recorta e representa o espaço conforme os interesses de quem o produz, em geral o Estado, os exércitos e as elites econômicas.
Pense nos exemplos históricos: mapas de navegação para as conquistas coloniais, mapas militares para guerras, cadastros de terras para cobrança de impostos e delimitação de fronteiras. Em todos eles, o mapa serve para conhecer, demarcar e controlar territórios. Daí a ideia de que a cartografia é essencialmente um instrumento de sustentação de hegemonias territoriais, isto é, de manutenção do domínio de certos grupos ou Estados sobre o espaço.
Os distratores indicam usos possíveis do mapa, mas contrariam o texto. A preservação de espaços naturais, a emancipação de sujeitos marginais, a revalorização de culturas reprimidas e a inversão de hierarquias estabelecidas são funções que existem na chamada cartografia social e participativa, mas o autor diz o contrário: os mapas servem a uma minoria e ao poder. Note ainda o advérbio "essencialmente" no enunciado, que exige o uso principal apontado pelo texto, e não um uso eventual.