Questão 38 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa

Um ano depois de ter sido criado, o ChatGPT, ferramenta capaz de produzir textos em qualquer área, generalizou-se, gerando dúvidas sobre autoria de teses e trabalhos

Um professor da Faculdade de Letras de uma universidade em Portugal pediu um trabalho acadêmico a uma turma de 50 alunos do 1º ano. Quando começou a corrigi-los, notou algo estranho: nenhum dos trabalhos continha um único erro ortográfico ou gramatical, coisa nunca antes vista. E as frases eram curtas e diretas, sem orações intercalares, um estilo típico do inglês, mas pouco frequente na escrita portuguesa. Independentemente do conteúdo e do tema, que variava, a estrutura era praticamente igual em todos. Especialista em linguística forense, o docente rapidamente concluiu: “esses textos não foram escritos por humanos”. O professor tinha conversado com os alunos sobre o ChatGPT e tinha deixado claro que a ferramenta poderia ser utilizada, mas não para a execução integral dos textos. A utilização do ChatGPT abriu um debate em todo o mundo por apresentar riscos e possibilidades de uso indevido. Foram várias as escolas e outros estabelecimentos de ensino que adotaram ferramentas que permitem detectar as tendências do programa.

Disponível em: https://expresso.pt. Acesso em: 24 jan. 2024 (adaptado).

De acordo com esse texto, o uso de uma ferramenta da inteligência artificial em contexto acadêmico revela um impacto de natureza

A
colaborativa, por fomentar o intercâmbio entre instituições de ensino de vários países.
B
teórica, por se basear na tradução de textos da língua inglesa para outras línguas.
C
mercadológica, por requerer recursos para o aperfeiçoamento profissional.
D
normativa, por estabelecer parâmetros para a checagem de fontes.
✓
pedagógica, por potencializar desafios para a educação.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

A questão pede o tipo de impacto que o uso de uma ferramenta de inteligência artificial (o ChatGPT) provoca no contexto acadêmico, segundo a reportagem.

Repare no que o texto relata: um professor percebe que nenhum dos trabalhos tinha “um único erro ortográfico ou gramatical”, que as frases eram “curtas e diretas” e que a estrutura era praticamente a mesma em todos. Ele havia liberado o uso da ferramenta, “mas não para a execução integral dos textos”. O texto ainda diz que o uso do ChatGPT “abriu um debate em todo o mundo por apresentar riscos e possibilidades de uso indevido” e que escolas passaram a adotar ferramentas de detecção.

Ou seja, o centro do assunto é o ensino: como orientar, avaliar e verificar a autoria da produção dos estudantes quando uma tecnologia escreve por eles. Isso representa novos problemas e novas possibilidades para quem ensina e para quem aprende, o que é um impacto de natureza educacional.

A resposta é pedagógica, por potencializar desafios para a educação. As demais explicações fogem do texto: a ideia de intercâmbio entre instituições de vários países não aparece (o caso é de uma única faculdade em Portugal); o texto não trata de tradução de textos do inglês, apenas observa que o estilo das frases lembra o inglês; não há menção a recursos financeiros nem a aperfeiçoamento profissional; e o texto não fala de normas que estabeleçam parâmetros de checagem de fontes, e sim de detecção de textos gerados pela máquina.

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