Questão 38 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa
Diante do pouco dinheiro para produtos básicos de sobrevivência, são as adolescentes o alvo mais vulnerável à precariedade menstrual. Sofrem com dois fatores: o desconhecimento da importância da higiene menstrual para sua saúde e a dependência dos pais ou familiares para a compra do absorvente, que acaba entrando na lista de artigos supérfluos da casa.
A falta do absorvente afeta diretamente o desempenho escolar dessas estudantes e, como consequência, restringe o desenvolvimento de seu potencial na vida adulta. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, revelaram que, das meninas entre 10 e 19 anos que deixaram de fazer alguma atividade (estudar, realizar afazeres domésticos, trabalhar ou, até mesmo, brincar) por problemas de saúde nos 14 dias anteriores à data da pesquisa, 2,88 por cento deixaram de fazê-la por problemas menstruais. Para efeitos de comparação, o índice de meninas que relataram não ter conseguido realizar alguma de suas atividades por gravidez e parto foi menor: 2,55 por cento.
Dados da ONU apontam que, no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual. No Brasil, esse número é ainda maior: uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes. Com isso, perdem, em média, até 45 dias de aula, por ano letivo, como revela o levantamento Impacto da Pobreza Menstrual no Brasil. O ato biológico de menstruar acaba por virar mais um fator de desigualdade de oportunidades entre os gêneros.
Esse texto é marcado pela função referencial da linguagem, uma vez que cumpre o propósito de
Resolução comentada
O texto é uma reportagem de caráter informativo sobre a pobreza menstrual. A pergunta vincula a função referencial da linguagem, aquela centrada no assunto tratado e no contexto, que informa de modo objetivo, ao propósito do texto.
Os marcadores da função referencial estão por toda parte: terceira pessoa, vocabulário objetivo e dados de fontes confiáveis. O texto cita a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE ("2,88 por cento deixaram de fazê-la por problemas menstruais"), compara com o índice por gravidez e parto ("2,55 por cento"), traz dados da ONU ("uma em cada dez meninas falta às aulas") e do levantamento Impacto da Pobreza Menstrual no Brasil ("até 45 dias de aula, por ano letivo"). Tudo isso serve para informar o leitor sobre o impacto da pobreza menstrual na vida das mulheres, o que corresponde à alternativa correta.
Os distratores atribuem ao texto propósitos que ele não tem. Sugerir soluções para o problema e orientar sobre rotinas de autocuidado seriam usos da função apelativa ou conativa, com sugestões, conselhos e verbos no imperativo, que não aparecem. Estabelecer relação entre menstruação e gravidez confunde um recurso de comparação estatística com o objetivo central. E comparar o desempenho acadêmico de mulheres e homens extrapola o texto, que fala da desigualdade de gênero apenas na frase final e não traz dados sobre o desempenho dos homens.