Questão 25 do ENEM 2024 — Artes

TEXTO I

Lá no bairro que eu moro

É tão triste os dias meus

Por eu ser um violeiro

Muita gente me ofendeu

Me chamam de vagabundo

Muita tristeza me deu

Mas eu sou encorajado

Eu rezo pra São Mateus

Cantando eu não faço mal

Porque estou louvando a Deus

GRUPO DE FANDANGO OS TROPEIROS DA MATA. Louvando a Deus. In: SILVA, O.; BARROS, A. et al. Documento sonoro do folclore brasileiro. São Paulo: Funarte; Atração Fonográfica; Instituto Itaú Cultural, 1982 (fragmento).

TEXTO II

USP tem primeiro curso de Viola Caipira do mundo. Os alunos que prestaram o vestibular 2005 para o curso de Música na Escola de Comunicações e Artes da USP, em Ribeirão Preto, tiveram mais uma opção: o bacharelado em Viola Caipira. Segundo o professor do curso, Ivan Vilela, existe um interesse cada vez maior pela viola caipira, pois “as pessoas se voltam para suas origens. Hoje encontramos a viola não só na música de raiz, mas na música erudita, na música pop e até mesmo em bandas de rock”.

BLASQUES, M. Disponível em: http://usp.br. Acesso em: 17 nov. 2021 (adaptado).

A maneira como a viola caipira é abordada nos dois textos revela que esse instrumento cordófono dedilhado

✓
assume papéis antagônicos na história da música brasileira.
B
substitui aqueles de uso tradicional em vários estilos musicais.
C
representa a extinta cultura tradicional de gerações passadas.
D
depende de pesquisas para não desaparecer como tradição popular.
E
subordina-se às manifestações musicais religiosas para continuar a ser tocado.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

A questão pede que você compare como a viola caipira aparece nos dois textos e identifique o que essa abordagem revela sobre o instrumento.

No Texto I, o violeiro canta que "muita gente me ofendeu" e que o chamam "de vagabundo". A viola está ligada ao universo popular e religioso (louvor a São Mateus), e o tocador sofre preconceito. No Texto II, a mesma viola entra na universidade, com bacharelado na USP, e o professor diz que hoje ela aparece "na música de raiz, mas na música erudita, na música pop e até mesmo em bandas de rock".

Perceba o contraste: de um lado, o instrumento desvalorizado e visto com desconfiança; de outro, prestigiado e presente em vários meios. A viola ocupa, então, papéis antagônicos na história da música brasileira.

As outras ideias não se sustentam. Substituir instrumentos tradicionais não aparece em nenhum dos textos. A cultura tradicional não é "extinta": o Texto II mostra o interesse crescente por ela. Nenhum dos textos diz que a tradição depende de pesquisas para não desaparecer. E a ligação com a religiosidade existe só no Texto I, sem que a viola se subordine a ela para continuar sendo tocada.

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