Questão 31 do ENEM 2024 — Educação Física

Um estudo norte-americano analisou os efeitos da pandemia da covid-19 sobre a saúde mental e a manutenção da atividade física, revelando que um fator está diretamente ligado ao outro. De acordo com os dados, famílias de baixa renda foram mais impactadas pelo ciclo vicioso de falta de motivação e pelo sedentarismo. Diante da necessidade de distanciamento social e do início da quarentena, as opções de espaços seguros para exercícios físicos diminuíram, o que dificultou que as pessoas mantivessem seus níveis de atividade. Os dados evidenciaram que as pessoas mais ativas tinham melhor estado de saúde mental. As pessoas com menor renda tiveram mais dificuldade para manter os níveis de atividade física durante a pandemia, sendo aproximadamente duas vezes menos propensas a continuarem no mesmo ritmo de exercícios de antes da pandemia. Habitantes de áreas urbanas mostraram maior probabilidade de não conseguirem manter os níveis de atividade física semelhantes aos de pessoas que vivem em zonas rurais, onde há mais oportunidades de sair para espaços abertos.

Otexto evidencia a perspectiva ampliada de saúde ao abordar criticamente a pandemia da covid-19 a partir do(a)

A
busca por espaços para a prática de exercícios físicos.
B
necessidade de se manter ativo para ter equilíbrio emocional.
C
distanciamento social e sua vinculação com a prática de atividades físicas.
✓
relação entre os determinantes socioeconômicos e a prática de exercícios.
E
benefício de morar em áreas rurais para preservar a estabilidade psicológica.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O texto é uma notícia de divulgação científica sobre um estudo norte-americano que cruza saúde mental, atividade física e pandemia. A pergunta pede a "perspectiva ampliada de saúde", isto é, aquela que não vê a saúde só como ausência de doença ou como escolha individual, mas como resultado de condições sociais, econômicas e ambientais.

Note os trechos que revelam essa ampliação: "famílias de baixa renda foram mais impactadas", "as pessoas com menor renda tiveram mais dificuldade para manter os níveis de atividade física" e a comparação entre moradores de áreas urbanas e rurais, "onde há mais oportunidades de sair para espaços abertos". Em todos eles, o que explica quem consegue se exercitar não é a vontade de cada um, e sim a renda, o local de moradia e o acesso a espaços seguros. São os chamados determinantes socioeconômicos da saúde.

Por isso, a alternativa correta é a que aponta a relação entre os determinantes socioeconômicos e a prática de exercícios: ela une as duas ideias centrais do texto, a desigualdade de renda e de território e o efeito dela sobre o movimento do corpo.

Os distratores são verdadeiros em parte, mas limitados. A opção sobre a busca por espaços para exercícios e a que trata do distanciamento social e da atividade física tocam apenas em causas imediatas da pandemia, sem tratar do recorte de classe, que é o ponto crítico do texto. A que diz que é preciso manter-se ativo para ter equilíbrio emocional repete uma informação do texto, mas de ordem individual, sem a abordagem social pedida. Já a que defende o benefício de morar em áreas rurais generaliza um dado secundário e ignora a questão da renda.

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