Questão 19 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa
Teclado amazônico
Em novembro de 2023, uma professora indígena recebeu uma missão: verter as regras de um jogo de tabuleiro infantil do português para o tukano, sua língua nativa. Com vinte anos de experiência como professora de línguas em Taracuá, no Amazonas, ela já se dedicava à tradução havia tempos. O trabalho ficou mais fácil graças a um aplicativo lançado no ano anterior: com o Linklado em seu computador, ela traduziu as sete páginas das instruções do jogo em dois dias. Sem esse recurso, a tarefa seria bem mais trabalhosa. Antes dele, diz a professora, as transcrições de línguas indígenas exigiam o esforço quase manual de produzir diacríticos (acentos gráficos) e letras que não constam no teclado de aplicativos de mensagens ou programas de texto.
Para a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), idealizadora do aplicativo, o Linklado representa uma revolução. O programa não restringe combinações de acentos, e isso poderá facilitar a criação de representações gráficas para fonemas que ainda não têm forma escrita. “Eu mirei em uma dor e atingimos várias outras”, diz.
“O Linklado possibilita que o Brasil reconheça a sua diversidade linguística”, afirma uma antropóloga que é colega da pesquisadora no Inpa e faz parte da equipe do aplicativo. Ela defende que escrever na língua materna é uma das principais formas de preservá-la.
De acordo com esse texto, o aplicativo Linklado contribuiu para a
Resolução comentada
O texto é uma reportagem sobre o Linklado, aplicativo de teclado criado por uma pesquisadora do Inpa para escrever em línguas indígenas. O relato de uma professora tukano, que traduziu as regras de um jogo em dois dias, serve de exemplo concreto dos efeitos da ferramenta. A questão pede o que o texto diz, de fato, que o aplicativo trouxe.
Observe as informações centrais. Antes do Linklado, escrever essas línguas "exigia o esforço quase manual de produzir diacríticos" e letras ausentes dos teclados comuns. Com o aplicativo, a tarefa ficou mais simples e rápida, e a antropóloga afirma que ele "possibilita que o Brasil reconheça a sua diversidade linguística", defendendo que escrever na língua materna ajuda a preservá-la. Ou seja, o recurso amplia o acesso à escrita dessas línguas, tornando-a viável para mais pessoas e em mais ambientes digitais.
É isso que a alternativa sobre democratização do registro escrito de línguas dos povos originários expressa.
Veja o problema dos distratores. A criação de fonemas é um exagero: o texto diz que o programa poderá facilitar a criação de representações gráficas para fonemas que ainda não têm escrita, e fonema é som, não grafia. A adaptação de regras de jogos de origem indígena inverte o exemplo, já que o jogo era infantil e foi vertido do português para o tukano. A divulgação de técnicas de tradução não é mencionada. E a aprendizagem do português pelos indígenas está na direção contrária: o foco é a escrita nas línguas nativas.