Questão 18 do ENEM 2023 — Literatura
TEXTO I
Alegria, alegria
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta noticia
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não?
VELOSO, C. Alegria, alegria. Rio de Janeiro: Polygram, 1990 (fragmento)
ТЕХТО II
Anjos tronchos
Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Desses que vivem no escuro em plena luz
Disseram vai ser virtuoso no vício
Das telas dos azuis mais do que azuis
Agora a minha história é um denso algoritmo
Que vende venda a vendedores reais
Neurônios meus ganharam novo outro ritmo
E mais, e mais, e mais, e mais, e mais
VELOSO, C. Meu coco. Rio de Janeiro: Sony, 2021 (fragmento)
Embora oriundas de momentos históricos diferentes essas letras de canção têm em comum a
Resolução comentada
Os dois textos, de épocas diferentes, tratam do excesso de informação: "tanta notícia" nas bancas de revista e o "algoritmo" que "vende" dados sem parar. O ponto em comum é a percepção da profusão de informações gerada pela tecnologia.
A ideia de crítica à finalidade comercial das notícias até se encaixa no Texto I, que menciona as bancas vendendo jornais, mas não descreve bem o Texto II, que fala de algoritmos e redes, não de notícias — por isso não é o traço comum às duas letras da canção.