Questão 7 do ENEM 2022 — Sociologia
TEXTO I

Disponível em: https://amigodobicho.wordpress.com/. Acesso em: 10 dez. 2017.
TEXTO II
Nas ruas, na cidade e no parque
Ninguém nunca prendeu o Delegado. O vaivém de rua em rua e sua longa vida são relembrados e recontados. Exemplo de sobrevivência, liderança, inteligência canina, desde pequenininho seu focinho negro e seus olhos delineados desenharam um mapa mental olfativo-visual de Lavras. Corria de quem precisava correr e se aproximava de quem não lhe faria mal, distinguia este daquele. Assim, tornou-se um cão comunitário. Nunca se soube por que escolheu a rua, talvez lhe tenham feito mal dentro de quatro paredes. Idoso, teve câncer e desapareceu. O querido foi procurado pela cidade inteira por duas protetoras, mas nunca encontrado.
COSTA, A. R. N. Viver o amor aos cães: Parque Francisco de Assis. Carmo do Cachoeira: Irdin, 2014 (adaptado).
Os dois textos abordam a temática de animais de rua, porém, em relação ao Texto I, o Texto II
Resolução comentada
O Texto I é um convite direto para adotar animais de rua, com documentos exigidos e apelo emocional (“Me leve para sua casa!!!”). Já o Texto II conta a história de um cão de rua, o Delegado, que viveu e morreu sem nunca ser “adotado” formalmente, sendo cuidado coletivamente pela comunidade — isso problematiza a ideia de que a adoção formal é sempre a única solução para animais sem lar.
A opção sobre validar a troca afetiva entre pets adotados e seus donos é tentadora porque o Texto II também fala de afeto; mas o Delegado nunca teve um “dono” — era um cão comunitário, cuidado por muitas pessoas ao mesmo tempo, fugindo do modelo de adoção individual sugerido no Texto I.