Questão 7 do ENEM 2022 — Língua Portuguesa
TEXTO I O homem atual está sacrificando conhecimentos profundos de qualidade em prol de informações cada vez mais reduzidas, o que dá uma imagem incompleta do mundo em que cremos viver. Por isso as numerosas notícias de hoje serão esquecidas amanhã, uma vez que serão substituídas por outras numerosas notícias. Quanto mais informações tem uma sociedade, um acúmulo excessivo, menos memória guardamos, o que diminui sua profundidade histórica, e, por conseguinte, também a capacidade que se tem para conduzi-la com as nossas próprias mãos.
Disponível em: www.revistaesfinge.com.br. Acesso em: 13 out. 2021 (adaptado).
TEXTO II
Esc (Caverna digital)
O que Maria vê Seu João não vê Dentro de cada universo Cada um enxerga e sente Com seu cada qual
O que Francisco diz Bia num entendeu Já tinha visto tanta coisa Que na sua cabeça tudo logo se perdeu
Me faz lembrar onde estamos
Digitalmente perdidos Me faz lembrar nosso rumo Liquidamente entretidos [...]
Lá fora um vendaval (aqui na) Caverna digital Ficamos inventando histórias Uma ilusão perfeita do que era pra ser Olho que tudo vê Ela ele você
SCALENE. Magnitite. São Paulo: Red Bull Studios, 2017 (fragmento). Na comparação entre os dois textos, constata-se que a crítica comum a ambos refere-se ao(à)
Resolução comentada
A questão pede que você compare um texto de opinião e uma letra de canção e identifique a crítica que ambos compartilham.
No Texto I, o autor afirma que o homem atual sacrifica "conhecimentos profundos de qualidade em prol de informações cada vez mais reduzidas", o que resulta em "uma imagem incompleta do mundo em que cremos viver". O excesso de notícias é esquecido logo, e a sociedade perde a capacidade de conduzir a si mesma. No Texto II, a canção da banda Scalene fala em "Caverna digital", uma referência à alegoria da caverna de Platão: "Digitalmente perdidos", "Liquidamente entretidos", "Ficamos inventando histórias, uma ilusão perfeita do que era pra ser", enquanto "lá fora" há um vendaval. Em ambos, as pessoas vivem imersas em informações e telas, mas desconectadas do mundo real.
A resposta correta é, portanto, a que aponta o distanciamento sistemático da realidade: no primeiro texto, uma visão incompleta e superficial do mundo; no segundo, uma ilusão confortável dentro de uma caverna digital.
As distratoras tratam de aspectos pontuais ou ausentes. A incompreensão entre as pessoas aparece só na primeira estrofe da canção ("o que Maria vê Seu João não vê"), sem relação com o Texto I. O esvaziamento das relações sociais e a aversão ao controverso não são temas do primeiro texto. A incredulidade frente aos acontecimentos também não é criticada: o problema apontado não é duvidar dos fatos, mas viver alheio a eles.