Questão 28 do ENEM 2022 — Língua Portuguesa

As línguas silenciadas do Brasil

Para aprender a língua de seu povo, o professor Txaywa Pataxó, de 29 anos, precisou estudar os fatores que, por diversas vezes, quase provocaram a extinção da língua patxôhã. Mergulhou na história do Brasil e descobriu fatos violentos que dispersaram os pataxós, forçados a abandonar a própria língua para escapar da perseguição. “Os pataxós se espalharam, principalmente, depois do Fogo de 1951. Queimaram tudo e expulsaram a gente das nossas terras. Isso constrange o nosso povo até hoje”, conta Txaywa, estudante da Universidade Federal de Minas Gerais e professor na aldeia Barra Velha, região de Porto Seguro (BA). Mais de quatro décadas depois, membros da etnia retornaram ao antigo local e iniciaram um movimento de recuperação da língua patxôhã. Os filhos de Sameary Pataxó já são fluentes — e ela, que se mudou quando já era adulta para a aldeia, tenta aprender um pouco com eles. “É a nossa identidade. Você diz quem você é por meio da sua língua”, afirma a professora de ensino fundamental sobre a importância de restaurar a língua dos pataxós. O patxôhã está entre as
línguas indígenas faladas no Brasil: o IBGE estimou 274 línguas no último censo. A publicação Povos indígenas no Brasil 2011/2016, do Instituto Socioambiental, calcula 160. Antes da chegada dos portugueses, elas totalizavam mais de mil.

Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 11 jun. 2019 (adaptado).

O movimento de recuperação da língua patxôhã assume um caráter identitário peculiar na medida em que

A
Denuncia o processo de perseguição histórica sofrida pelos povos indígenas.
✓
Conjuga o ato de resistência étnica à preservação da memória cultural.
C
Associa a preservação linguística ao campo da pesquisa acadêmica.
D
Estimula o retorno de povos indígenas a suas terras de origem.
E
Aumenta o número de línguas indígenas faladas no Brasil.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Recuperar a língua patxôhã não é só um exercício de estudo: é uma forma de reagir à perseguição histórica sofrida pelo povo, unindo resistência étnica e preservação da memória cultural.

A opção que tenta usar o fato de Txaywa estudar na universidade para reduzir o movimento a uma questão acadêmica erra o foco: o texto deixa claro que o motivo central é identitário e coletivo, não uma pesquisa científica.

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