Questão 28 do ENEM 2022 — Língua Portuguesa
Cuidadora humilhada por erros de português ao enviar currículo para asilo recebe ofertas de emprego

Bom dia
08:48
Você se esqueceu de um pequeno detalhe. Da próxima vez, pergunte antes se a empresa está precisando deste tipo de serviço
08:49
É só uma dica, antes de enviar tudo se nem pedimos
08:49
Fica feio
08:50
Que passaram esse número
08:50
E não estamos precisando
08:50
Passaram errado
08:50
Desculpa
08:50
Encomendar
08:50
É incomodar rs
08:50
Nossa desculpa
08:51
Porque agente nunca sabe dia de amanhã
08:52
Sim
08:52
E também não existe AGENTE é A GENTE
08:52
seria bom você fazer um curso de português, pode ser que seja por isso que você não consegue uma vaga de trabalho
08:53
MARTINS, J. Disponível em: www.g1.globo.com. Acesso em: 25 nov. 2021 (adaptado).
Nessa conversa por aplicativo, em que se evidencia uma forma de preconceito, a atendente avaliou a candidata a uma vaga de emprego pelo(a)
Resolução comentada
A questão pede que você identifique em que base a atendente avaliou a candidata, numa conversa que o próprio enunciado classifica como exemplo de preconceito (no caso, linguístico).
Repare nas falas da atendente: ela corrige "agente" para "a gente" ("não existe AGENTE é A GENTE"), comenta as trocas de palavras ("encomendar" no lugar de "incomodar"), diz "fica feio" e sugere: "seria bom você fazer um curso de português, pode ser que seja por isso que você não consegue uma vaga de trabalho". Ela não discute a capacidade profissional da candidata nem a vaga: relaciona o valor da pessoa e suas chances de trabalho aos desvios da norma-padrão nas mensagens que escreveu. Isso é preconceito linguístico: julgar o falante pela distância entre o que escreve e a variedade prestigiada.
A resposta correta é a que fala em descuido com os padrões linguísticos no contexto da conversa/comunicação profissional: a atendente avaliou a candidata pelo desrespeito às normas da língua escrita.
As outras ideias apontam falhas que não aparecem na conversa como critério de julgamento. Não se critica a falta de autocorreção durante o diálogo, nem desleixo com pontuação, nem desprezo por uma linguagem específica de entrevistas, nem a correção automática de palavras. A crítica da atendente é geral e dirigida ao domínio da norma-padrão, e é isso que torna o episódio um caso de preconceito linguístico.