Questão 103 do ENEM 2016 — Sociologia

TEXTO I

Nesta época do ano, em que comprar compulsivamente é a principal preocupação de boa parte da população, é imprescindível refletirmos sobre a importância da mídia na propagação de determinados comportamentos que induzem ao consumismo exacerbado. No clássico livro O capital, Karl Marx aponta que no capitalismo os bens materiais, ao serem fetichizados, passam a assumir qualidades que vão além da mera materialidade. As coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas. Em outros termos, um automóvel de luxo, uma mansão em um bairro nobre ou a ostentação de objetos de determinadas marcas famosas são alguns dos fatores que conferem maior valorização e visibilidade social a um indivíduo.

LADEIRA, F. F. Reflexões sobre o consumismo. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em 18 Jan.2015.

TEXTO II

Todos os dias, em algum nível, o consumo atinge nossa vida, modifica nossas relações, gera e rege sentimentos, engendra fantasias, aciona comportamentos, faz sofrer, faz gozar. Às vezes constrangendo-nos em nossas ações no mundo, humilhando e aprisionando, às vezes ampliando nossa imaginação e nossa capacidade de desejar, consumimos e somos consumidos. Numa época toda codificada como a nossa, o código da alma (o código do ser) virou código do consumidor! Fascínio pelo consumo, fascínio do consumo. Felicidade, luxo, bem-estar, boa forma, lazer, elevação espiritual, saúde, turismo, sexo, família e corpo são hoje reféns da engrenagem do consumo.

BARCELLOS, G. A alma do consumo. Disponível em: www.diplomatique.org.br. Acesso em 18 jan 2015.

Esses textos propõem uma reflexão crítica sobre o consumismo. Ambos partem do ponto de vista de que esse hábito

A
Desperta o desejo de ascensão social.
✓
Provoca mudanças nos valores sociais.
C
Advém de necessidades suscitadas pela publicidade.
D
Deriva da inerente busca por felicidade pelo ser humano.
E
Resulta de um apelo do mercado em determinadas datas.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Os dois textos convergem na ideia de que o consumismo altera aquilo que a sociedade valoriza: no Texto I, coisas são personificadas e pessoas coisificadas, e objetos passam a conferir status; no Texto II, "o código da alma virou código do consumidor". Ambos partem do ponto de vista de que esse hábito provoca mudanças nos valores sociais.

As leituras que atribuem o consumismo à publicidade ou a datas específicas do mercado se apoiam em elementos que aparecem apenas no Texto I (a mídia e a época do ano de compras). Como a questão pede o ponto comum aos dois textos, elas não servem.

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