Questão 126 do ENEM 2014 — Literatura

FABIANA, arrepelando-se de raiva — Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu filho, e trouxe a mulher para minha casa. É isto constantemente. Não sabe o senhor meu filho que quem casa quer casa…. Já não posso, não posso, não posso! (Batendo com o pé). Um dia arrebento, e então veremos!

PENA, M. Quem casa quer casa. www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 dez. 2012.

As rubricas em itálico, como as trazidas no trecho de Martins Pena, em uma atuação teatral, constituem

A
Necessidade, porque as encenações precisam ser fiéis às diretrizes do autor.
✓
Possibilidade, porque o texto pode ser mudado, assim como outros elementos.
C
Preciosismo, porque são irrelevantes para o texto ou para a encenação.
D
Exigência, porque elas determinam as características do texto teatral.
E
Imposição, porque elas anulam a autonomia do diretor.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

As rubricas (“arrepelando-se de raiva”, “batendo com o pé”) são orientações do dramaturgo para a encenação. No teatro, porém, o texto é apenas o ponto de partida do espetáculo: diretor e atores podem segui-las, adaptá-las ou ignorá-las. Elas constituem, portanto, uma possibilidade de encenação, e não uma obrigação.

As leituras que tratam as rubricas como necessidade ou exigência superestimam seu poder: a montagem teatral não precisa ser fiel às diretrizes do autor — cada encenação é uma leitura própria do texto, e é isso que mantém as peças vivas ao longo do tempo.

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