Questão 101 do ENEM 2011 — Literatura

TEXTO I
Onde está a honestidade?

Você tem palacete reluzente
Tem joias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança ou parente
Só anda de automóvel na cidade…

E o povo pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?

O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e felicidade…

Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente…

ROSA, N. Disponível em: http://www.mpbnet.com.br. Acesso em: abr. 2010.

TEXTO II

Um vulto da história da música popular brasileira, reconhecido nacionalmente, é Noel Rosa. Ele nasceu em 1910, no Rio de Janeiro; portanto, se estivesse vivo, estaria completando 100 anos. Mas faleceu aos 26 anos de idade, vítima de tuberculose, deixando um acervo de grande valor para o patrimônio cultural brasileiro. Muitas de suas letras representam a sociedade contemporânea, como se tivessem sido escritas no século XXI.

Disponível em: http://www.mpbnet.com.br. Acesso em: abr. 2010.

Um texto pertencente ao patrimônio literário-cultural brasileiro é atualizável, na medida em que ele se refere a valores e situações de um povo. A atualidade da canção Onde está a honestidade?, de Noel Rosa, evidencia-se por meio

✓
Da ironia, ao se referir ao enriquecimento de origem duvidosa de alguns.
B
Da crítica aos ricos que possuem joias, mas não têm herança.
C
Da maldade do povo a perguntar sobre a honestidade.
D
Do privilégio de alguns em clamar pela honestidade.
E
Da insistência em promover eventos beneficentes.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

Noel Rosa descreve alguém com palacete, joias e criados "sem ter nenhuma herança ou parente", cujo dinheiro "nasce de repente" e que "acha nas ruas" anéis e dinheiro diariamente. O tom é claramente irônico: a canção se mantém atual pela ironia ao se referir ao enriquecimento de origem duvidosa de certas pessoas — tema que continua presente na sociedade brasileira.

Apontar a maldade do povo a perguntar sobre a honestidade se prende a um detalhe: essa "maldade" é parte do recurso irônico, não o alvo da crítica. Quem está sendo questionado é o enriquecido sem explicação, não o povo que desconfia.

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