Questão 87 do ENEM 2025 — História
Durante a realeza, e nos primeiros anos republicanos, as leis eram transmitidas oralmente de uma geração para outra. A ausência de uma legislação escrita permitia aos patrícios manipular a justiça conforme seus interesses.
COULANGES, F. A cidade antiga. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
A conjuntura sociopolítica da Roma Antiga, conforme apresentada no texto, foi contestada pelos
Resolução comentada
O texto de Fustel de Coulanges trata da Roma Antiga na monarquia e nos primeiros tempos da República (séculos VIII a V a.C.). Nessa sociedade havia uma divisão estrita: os patrícios, aristocratas proprietários de terras, monopolizavam cargos, o Senado e a interpretação das leis; os plebeus, camponeses, artesãos e comerciantes livres, não tinham os mesmos direitos políticos.
O ponto central é que as leis eram transmitidas oralmente, o que permitia aos patrícios “manipular a justiça conforme seus interesses”. Quem conhece apenas por tradição o conteúdo das normas fica dependente de quem as interpreta. Contra essa situação, os plebeus lutaram, nas chamadas revoltas plebeias, pela redação das leis, o que levou à Lei das Doze Tábuas, por volta de 450 a.C., e por participação política, com a criação do tribunato da plebe e depois o acesso a magistraturas. A alternativa que fala nos plebeus que “almejavam participar da vida política” sintetiza essa contestação.
Os demais grupos não se encaixam. Os monarcas não tinham interesse em expandir um código jurídico, e nem mesmo existiam mais após a República. Os nobres, ou patrícios, eram os beneficiados pelo sistema, e não os que desejavam superar uma dependência. Camponeses reivindicando menos jornada de trabalho é um tema trabalhista anacrônico para a época. E estrangeiros acessando espaços públicos não é o conflito descrito no texto, que opõe patrícios e plebeus.