Questão 82 do ENEM 2025 — Filosofia

A cidade justa é governada pelos filósofos, administrada pelos cientistas, protegida pelos guerreiros e mantida pelos produtores. Cada classe cumprirá sua função para o bem da pólis, racionalmente dirigida pelos filósofos. Em contrapartida, a cidade injusta é aquela onde o governo está nas mãos dos proprietários — que não pensam no bem comum da pólis e lutarão por interesses econômicos particulares.

CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000.

O texto apresenta a estrutura de governo da cidade ideal pensada por Platão, que postula uma indissociabilidade entre

A
cognoscência e relação intersubjetiva.
B
mitologia e teorias cosmogônicas.
C
cidadania e primazia da retórica.
D
moralidade e virtudes cardeais.
✓
ética e exercício do poder.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

O texto de Marilena Chaui resume a proposta política de Platão, exposta em A República. Na cidade justa, cada classe cumpre a função que lhe cabe: os filósofos governam, os guerreiros defendem e os produtores sustentam materialmente a pólis. A cidade injusta, ao contrário, é governada por proprietários que perseguem interesses econômicos particulares e esquecem o bem comum.

Note o critério que distingue as duas cidades: quem governa e para quê. Os filósofos são os mais aptos a governar porque conhecem o Bem e, por isso, exercem o poder visando ao interesse coletivo; os proprietários o exercem em benefício próprio. Em Platão, portanto, o poder político só é legítimo quando orientado pela virtude e pela justiça. Isso mostra a indissociabilidade entre ética e exercício do poder, que a alternativa correta formula.

As outras não decorrem do trecho. “Cognoscência e relação intersubjetiva” e “mitologia e teorias cosmogônicas” remetem a temas que o texto não aborda; Platão, aliás, criticava os mitos dos poetas e não os toma como base do governo. “Cidadania e primazia da retórica” contraria Platão, que desconfiava dos retóricos e sofistas e defendia o governo pela razão e pelo conhecimento. Por fim, “moralidade e virtudes cardeais” soa próximo, já que Platão trata de virtudes, mas o texto não as enumera nem as relaciona à moral individual: o foco é a estrutura de governo e sua finalidade.

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