Questão 71 do ENEM 2025 — História
Moradores de Berlim protestaram contra a demolição de um trecho do muro que dividiu a cidade durante quase três décadas. Tratado como patrimônio cultural e histórico da cidade, o East Side Gallery, repleto de grafites emblemáticos, está na mira de uma construtora que pretende levantar um condomínio de luxo às margens do Rio Spree, que corta a cidade.
ALMEIDA, R. Alemães impedem demolição de último trecho original do muro de Berlim. Disponível em: http://operamundi.uol.com.br. Acesso em: 2 fev. 2021 (adaptado).
A demolição do símbolo histórico mencionado representa uma
Resolução comentada
O texto trata do East Side Gallery, trecho do Muro de Berlim que sobrevive em pé e foi transformado em galeria a céu aberto com grafites. O muro dividiu a cidade de 1961 a 1989, símbolo da Guerra Fria e da separação entre a Alemanha Ocidental e a Oriental. Hoje, moradores protestam contra a demolição desse trecho para a construção de um condomínio de luxo.
O enunciado traz a noção de patrimônio cultural e histórico, bem que guarda a memória de uma sociedade. Perceba que o trecho é "tratado como patrimônio" e que a população reage à demolição: para ela, destruir o muro significa apagar o testemunho material de um período marcante, a divisão e a luta pela reunificação. Por isso a demolição representa uma violação da memória coletiva.
Os distratores falham por motivos diferentes. A "alteração das fronteiras políticas" refere-se à queda do muro em 1989 e à reunificação, e não à demolição atual do trecho preservado. A "adesão à arquitetura neoclássica" não aparece no texto: o muro é conhecido pelos grafites e o condomínio é de luxo. A "negação das influências orientais" não tem base no trecho, que não trata de oriente como cultura. E a "reorganização da mobilidade urbana" não é o motivo da obra, que é imobiliária.