Questão 64 do ENEM 2025 — História

Em toda a sua carreira política, Getúlio Vargas sempre contara com o seu talento pessoal de persuasão e poder de manipulação. Agora, porém, seus amigos começavam a perceber que ele parecia envelhecido e cansado. A principal figura da oposição, concordavam eles, era o belicoso jornalista Carlos Lacerda. Se ao menos pudessem “removê-lo” do cenário político, talvez Vargas se salvasse da situação. Esses seguidores decidiram tomar o assunto em suas próprias mãos com o atentado da Rua Tonelero.

SKDIMORE, T. Brasil: de Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003 (adaptado).

Nesse contexto, a ação dos aliados de Getúlio Vargas teve como consequência imediata o(a)

✓
intensificação dos ataques do grupo udenista.
B
intervenção dos sindicatos no conflito partidário.
C
mobilização da sociedade na defesa do governo.
D
abandono da censura aos meios de comunicação.
E
apoio dos parlamentares aos candidatos oposicionistas.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

O texto do historiador Thomas Skidmore trata da crise do segundo governo Vargas (1951-1954). Em agosto de 1954, o jornalista Carlos Lacerda, principal voz da oposição udenista, sofreu um atentado na Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, no qual morreu o major da Aeronáutica Rubens Vaz. A ação foi atribuída a homens da guarda pessoal de Vargas.

Note a lógica do trecho: os aliados queriam "remover" Lacerda do cenário para salvar Vargas. Porém, o efeito foi o oposto. O crime foi explorado como prova da corrupção e da degeneração do governo, e a oposição, em especial a UDN, intensificou os ataques, passando a pedir abertamente a renúncia do presidente. Militares, indignados com a morte de um oficial, também se voltaram contra Vargas, o que levou ao ultimato que culminou no suicídio de 24 de agosto de 1954.

Por isso a consequência imediata foi a intensificação das críticas do grupo udenista.

A mobilização popular em defesa do governo é tentadora, mas só ocorreu depois do suicídio, com a divulgação da carta-testamento, e não como efeito imediato do atentado. Não há registro de intervenção sindical no conflito partidário nem de abandono da censura, já que a pressão se dava pela imprensa livre de oposição. E o apoio parlamentar a candidatos oposicionistas não decorre do atentado e não responde ao que o enunciado pergunta.

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