Questão 61 do ENEM 2025 — Filosofia
O corpo de cidadãos é o poder supremo dos Estados. A supremacia pode residir ou num homem, ou na minoria, ou em todos. Sempre que o Um, ou a Minoria, ou Todos governam, tendo em vista o bem-estar comum, essas constituições são justas; mas se procuram apenas o benefício de uma das partes, seja ela o Um, a Minoria ou Todos, estabelece-se um desvio.
ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
No excerto encontra-se a base da teoria clássica das três formas de governo representadas pela
Resolução comentada
O trecho é da Política, de Aristóteles (século IV a.C.), obra em que o filósofo classifica as constituições das cidades gregas. Ele usa dois critérios: quantos governam (um, poucos ou muitos) e para quem se governa (o bem comum ou o interesse próprio dos governantes).
Note a frase central: quando o Um, a Minoria ou Todos governam "tendo em vista o bem-estar comum", a constituição é justa; quando buscam só o benefício de uma parte, há um desvio. As formas justas, portanto, são o governo de um só (monarquia), o de poucos (aristocracia) e o de todos (democracia, chamada por Aristóteles de politeia, ou governo constitucional). Os desvios correspondentes seriam tirania, oligarquia e democracia degenerada (demagogia).
Por isso a resposta é a que lista monárquica, aristocrática e democrática: ela traz as três formas puras, que o texto apresenta como base da teoria clássica.
Perceba os distratores. A sequência que abre com "tirania, oligarquia e república" mistura duas formas desviadas com uma justa, contrariando o critério do texto. As que citam burocracia, autarquia, ditadura, anarquia, plutocracia e tecnocracia reúnem conceitos políticos modernos ou formas de organização que não correspondem a uma divisão por número de governantes e finalidade, e vários nem designam regimes aristotélicos.