Questão 60 do ENEM 2025 — Filosofia
Adam Smith via o açougueiro e o padeiro não só como indivíduos buscando seus interesses financeiros, mas como pessoas moralmente motivadas dentro de uma sociedade. A base da moral era a empatia e o julgamento, instaurando uma distinção entre o que queremos fazer e o que sentimos que devemos fazer.
COLLIER, P. O futuro do capitalismo. Porto Alegre: LP&M, 2019.
O texto defende uma motivação capitalista para o campo dos negócios, na qual o lucro se mostra associado à
Resolução comentada
O texto, de Paul Collier, retoma o pensamento de Adam Smith (1723-1790), autor de A riqueza das nações, mas também de Teoria dos sentimentos morais, obra em que a base da moral está na empatia e no julgamento. Muita gente associa Smith apenas à "mão invisível" e ao interesse próprio, mas Collier lembra que ele via o açougueiro e o padeiro como "pessoas moralmente motivadas dentro de uma sociedade".
Note a distinção final do trecho: entre "o que queremos fazer" e "o que sentimos que devemos fazer". O desejo de lucro convive, portanto, com um senso de dever, que nasce da empatia com os outros. A pergunta pede com o que o lucro se mostra associado nessa visão de capitalismo, e a resposta é a percepção de responsabilidade ética: os negócios acontecem dentro de uma sociedade com valores morais.
Os distratores trazem objetivos que o texto não relaciona ao lucro. Poder político e monopólio comercial são justamente os alvos das críticas de Smith ao mercantilismo, e não fazem parte da proposta do texto. A satisfação subjetiva se aproxima do interesse próprio, que o autor quer completar com a moral, não reduzir a ela. O reconhecimento público também é um ganho individual, que não corresponde ao sentimento de dever moral descrito.