Questão 53 do ENEM 2025 — Sociologia

TEXTO I

A partir do século IV, com os imperadores ditos cristãos, o teatro e a dança foram condenados. O batismo era recusado aos que atuavam no circo ou na pantomima. E em 398, no Concílio de Cartago, os que iam ao teatro nos dias santos foram excomungados.

DINIZ, T.; SANTOS, G. História da dança. Disponível em: www.uel.br. Acesso em: 18 out. 2023. TEXTO II

A dança no ato litúrgico cumpre tanto um papel de adoração quanto mercadológico. Não à toa há aceitação, expansão e investimento nessa prática percebida massivamente pela ampla divulgação principalmente nas redes sociais. A expansão e ampliação por via de festivais, aulas, cursos, palestras etc. consolida a criação de um mercado específico para esse público.

SANTOS, Z. Dança gospel. Salvador: UFBA, 2021.

A percepção sobre a dança e a cultura corporal apresenta aspectos relacionados, respectivamente, a

A
segregação social e intolerância eclesiástica.
B
rituais eucarísticos e sacramentos da Igreja.
C
transe individual e progresso intelectual.
D
penitência pessoal e juramento coletivo.
✓
dogmatismo religioso e adesão de fiéis.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

Os dois textos tratam da relação entre religião e dança em épocas diferentes. O Texto I descreve o cristianismo a partir do século IV: com os imperadores cristãos, teatro e dança foram condenados, os artistas ficaram sem batismo e quem frequentava o teatro em dias santos foi excomungado pelo Concílio de Cartago (398). Perceba a proibição imposta pela doutrina, que via o corpo e o espetáculo como perigosos para a fé.

O Texto II, sobre a dança gospel contemporânea, mostra o oposto. A dança passa a ser parte do ato litúrgico, com "adoração" e "mercado", expandindo-se com festivais, cursos e redes sociais. Há, então, adesão de fiéis e consumo, formando um público e um mercado próprios. Assim, a relação entre as duas ideias é a seguinte: primeiro, dogmatismo religioso (a norma da Igreja define o que é permitido); depois, adesão de fiéis (a prática é incorporada pelos próprios seguidores).

Os outros pares falham em algum dos textos. Segregação social e intolerância eclesiástica descrevem em parte o primeiro, mas não o segundo. Rituais eucarísticos e sacramentos ignoram a dança. Transe individual e progresso intelectual não aparecem em nenhum deles. Penitência pessoal e juramento coletivo também não são temas, pois o primeiro texto fala de condenação e excomunhão, e não de penitência escolhida.

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