Questão 51 do ENEM 2025 — Sociologia

Sinal fechado

Olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem? Tudo bem, eu vou indo, correndo Pegar meu lugar no futuro, e você? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe? Quanto tempo... Pois é, quanto tempo... Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios... Oh, não tem de que Eu também só ando a cem Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí Pra semana, prometo, Talvez nos vejamos, quem sabe? Quanto tempo...

Pois é, quanto tempo... Tanta coisa que eu tinha a dizer Mas eu sumi na poeira das ruas Eu também tenho algo a dizer Mas me foge a lembrança Por favor, telefone, eu preciso beber Alguma coisa rapidamente Pra semana... O sinal... Eu procuro você... Vai abrir! Vai abrir! Prometo, não esqueço Por favor, não esqueça Não esqueço, não esqueço Adeus...

PAULINHO DA VIOLA. Foi um rio que passou em minha vida. Rio de Janeiro: Odeon, 1970.

A letra da canção apresenta a permanência de uma situação da vida cotidiana ao destacar a

A
diminuição do comportamento competitivo.
B
importância da memória coletiva.
C
redução da mobilidade urbana.
✓
efemeridade dos vínculos de afetividade.
E
obsolescência dos meios de comunicação.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

"Sinal fechado" (1969), de Paulinho da Viola, retrata um encontro rápido entre dois conhecidos, em um cruzamento, aguardando o sinal abrir. A canção é uma crítica ao ritmo acelerado da vida urbana moderna, em que o tempo é escasso, e as relações ficam em segundo plano. É um tema clássico da sociologia da cultura e da vida nas grandes cidades.

Perceba nos versos o padrão repetido: "Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios", "Quando é que você telefona?", "Precisamos nos ver por aí", "Pra semana, prometo". Os dois trocam promessas que não se cumprem, "tanta coisa que eu tinha a dizer", mas "me foge a lembrança", e se despedem com "Adeus". A pressa e o trabalho impedem que o afeto se aprofunde, o que indica a efemeridade dos vínculos de afetividade, isto é, o caráter passageiro e superficial das relações interpessoais.

Os demais itens não correspondem à letra. A competitividade é mencionada nos negócios, mas ela não diminui, porque o eu lírico "anda a cem". Memória coletiva não é tema, pois o problema é a lembrança individual que se perde. A mobilidade urbana não se reduz, já que a cena é de gente correndo. E o telefone aparece como promessa de contato, sem qualquer ideia de obsolescência dos meios de comunicação.

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