Questão 25 do ENEM 2025 — Língua Portuguesa
Passando por aqui para lembrar algumas palavras, frases e expressões que nos infernizaram em 2023. Inclusive passando por aqui. Se você for proativo, vai achar que é o novo normal. Estarão na sua zona de conforto. Mas, se for reativo como eu, vai achar que é uma narrativa que precisa ser ressignificada. É uma questão de empatia. É sobre entregar um discurso mais robusto e empoderado. Sei bem que não tenho lugar de fala para harmonizar certos pontos fora da curva e que preciso aplicar toda a minha resiliência para fazer um realinhamento. O nível de fitness está hoje num sarrafo muito alto. O fato é que acho cringe essas falas fora da caixinha. Aliás, falar cringe já é meio cringe. Preciso usar a superação para me reinventar e entender que resenha não tem mais a ver com futebol, é qualquer papo, desde que latente. Pensando bem, não é tão difícil. Frases feitas são aquelas que entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro. A boca fala por conta própria, dispensando-nos de pensar. E não tem problema nisso. Ou as ditas frases se incorporam à língua ou morrem e nascem outras. A língua é assim. Simples assim.
CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).
Nesse texto, a estratégia empregada para criticar a constante exposição a palavras, frases e expressões automatizadas é o(a)
Resolução comentada
O texto é uma crônica opinativa e bem-humorada que faz uma crítica ao uso mecânico de modismos linguísticos. O cronista reúne expressões que “nos infernizaram em 2023” e afirma, ao final, que frases feitas “entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro”.
A estratégia é fazer o próprio texto empregar, em sequência e de forma exagerada, o material que critica: “novo normal”, “zona de conforto”, “narrativa”, “ressignificada”, “lugar de fala”, “pontos fora da curva”, “resiliência”, “cringe”, “fora da caixinha”. O parágrafo vira uma colcha de clichês, e a acumulação, quase sem sentido, cria o efeito cômico. O autor chega a brincar com o próprio vício: “falar cringe já é meio cringe”. É a ironia: ao imitar o discurso automatizado, ele o expõe ao ridículo.
Por isso, a estratégia é o humor gerado pelo uso das estruturas linguísticas que são objeto da reflexão: a crítica se faz mostrando, na prática, como essas expressões soam vazias quando empilhadas.
Os distratores descrevem traços reais do texto, mas não a estratégia de crítica. A efemeridade dos usos aparece só no final, como conclusão (“ou morrem e nascem outras”). A primeira pessoa e a referência direta ao leitor (“você”, “sua”) estão presentes, mas não é por elas que se critica o excesso de frases automatizadas. E a repetição de “assim” em “Simples assim” é um fecho pontual, sem relação com a exposição constante aos modismos.