Questão 22 do ENEM 2025 — Artes
TEXTO I
A Ilha do Ferro, situada a 18 km do município de Pão de Açúcar, não é uma ilha, como o nome indica. A história do povoado é semelhante à de inúmeros outros que encontramos às margens do Rio São Francisco, entre Alagoas e Sergipe. O que torna diferente o lugar é sua gente. Hoje, dezenas de artistas populares povoam a Ilha do Ferro, trabalhando principalmente com o entalhe em madeira. Onde pessoas comuns enxergariam apenas troncos e galhos retorcidos, eles vislumbram bancos, bonecos, pássaros, cobras e bailarinas. “Às vezes, você passa por um pedaço de madeira uma vez e não vê nada, passa cinco vezes por ele e não vê nada”, conta um dos artistas, “mas, na décima vez, você consegue enxergar alguma forma nesse pedaço de madeira e transformá-lo em arte”.
Disponível em: www.imaterial.art.br. Acesso em: 5 fev. 2025 (adaptado).
TEXTO II

FARIAS, Y. Bailarino entalhado em gravetos de madeira. Artesanato em madeira, 20 × 13 × 51 cm. Ilha do Ferro (AL).
Disponível em: www.nidelins.com.br. Acesso em: 5 fev. 2025.
A originalidade do trabalho dos artistas da Ilha do Ferro se dá pela
Resolução comentada
A questão relaciona dois textos: um trecho de reportagem sobre os artistas populares da Ilha do Ferro (AL) e a fotografia de uma obra de Y. Farias. A imagem mostra bailarinos esculpidos em gravetos de madeira, com corpos finos e articulados, braços e pernas abertos em passos de dança, cabeças pequenas e expressivas pintadas, roupas coloridas (azul, amarelo, vermelho) e bases de tronco bruto.
O texto verbal dá a chave: “Onde pessoas comuns enxergariam apenas troncos e galhos retorcidos, eles vislumbram bancos, bonecos, pássaros, cobras e bailarinas”. O artista conta que passa várias vezes por um pedaço de madeira até “enxergar alguma forma” e “transformá-lo em arte”. O que a imagem confirma é exatamente isso: galhos tortos, que seriam descartados ou vistos como simples lenha, passam a ser corpos em movimento.
A originalidade está, portanto, na ressignificação da matéria-prima: o mesmo objeto ganha outro sentido e outra função, a de obra de arte. Esse olhar transformador é o traço autoral dos artistas da ilha.
Descarte os distratores pelo conteúdo. A reutilização para reduzir o impacto ambiental não é o foco do texto, que fala de percepção artística, não de ecologia. Os artistas criam formas próprias, e não reproduzem modelos canônicos. A obra retrata bailarinos, mas a questão pergunta o que torna o trabalho original, e não o tema representado. E o texto trata de peças entalhadas uma a uma por artistas populares, sem nenhuma ideia de produção seriada em larga escala.