Questão 18 do ENEM 2025 — Educação Física

Com 20 anos de experiência no futebol de alto rendimento, Marina, ex-jogadora da seleção brasileira de futebol, salienta que, por trás do espetáculo apresentado nas mídias, com mensagens de motivação e superação, o esporte não é tão inclusivo assim. “É esta análise que devemos fazer: aqueles atletas que estão ali estão trazendo uma alta performance a partir dos seus limites”, explica. Para a profissional, é preciso analisar com cautela “a ideia romântica que a mídia passa para os telespectadores”. A realidade é muito mais dura do que as imagens espetaculosas que principalmente a televisão busca transmitir para a audiência. “Por trás existe um ser humano, a gente não pode nunca esquecer isso. Aquela pessoa treinou insistentemente para estar ali, durante meses, semanas e temporadas. Duas vezes ao dia, de duas a quatro horas”, pondera Marina. Atualmente, as crianças e os jovens vislumbram o sucesso profissional e a boa-vida financeira de poucos atletas que se destacam e estampam os meios de comunicação. Tudo parece ser muito mais fácil do que realmente é quando apenas as conquistas são mostradas.

ROSOLEN, N. Disponível em: www.uninter.com. Acesso em: 10 maio 2024 (adaptado).

Nesse texto, a visão crítica de uma ex-atleta de futebol revela que

✓
os meios de comunicação invisibilizam as dificuldades presentes no esporte.
B
o treinamento atlético de alto nível é desestimulante para os indivíduos.
C
o trabalho contínuo é desvalorizado no contexto esportivo profissional.
D
as ações de incentivo financeiro a jovens atletas são precárias.
E
as publicações da mídia esportiva rotulam atletas iniciantes.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

O texto é uma reportagem que traz a visão crítica de Marina, ex-jogadora da seleção brasileira, sobre a imagem que a mídia constrói do esporte de alto rendimento. A questão pede o que essa visão revela, e a resposta está na crítica central que ela formula.

Veja as marcas da crítica: Marina alerta contra "a ideia romântica que a mídia passa para os telespectadores" e diz que "a realidade é muito mais dura do que as imagens espetaculosas que principalmente a televisão busca transmitir". Ela lembra o treino "duas vezes ao dia, de duas a quatro horas" e conclui, no último trecho, que "tudo parece ser muito mais fácil do que realmente é quando apenas as conquistas são mostradas". Ou seja, ao mostrar só vitórias e superações, os meios de comunicação invisibilizam as dificuldades (esforço, treino, limites, falta de inclusão) que existem por trás do espetáculo.

Os distratores usam palavras do texto, mas invertem o sentido. A alternativa que diz que o treinamento de alto nível é desestimulante transforma o relato de esforço em desânimo, mas Marina o valoriza ("treinou insistentemente"). A que diz que o trabalho contínuo é desvalorizado vai na direção contrária: é a mídia que o esconde, e a ex-atleta o reivindica. A que fala em precariedade de incentivos financeiros confunde o "sucesso financeiro de poucos" com uma discussão sobre apoio a jovens atletas, que não é feita. E a que fala em rotular atletas iniciantes não tem qualquer base no texto.

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