Questão 79 do ENEM 2024 — Sociologia

TEXTO I

Por meio de diferentes movimentos sociais, pode-se romper as homogeneidades aparentes (por exemplo, a instituição, a comunidade ou o grupo social) e revelar os conflitos que presidiram a formação e a edificação das práticas culturais: penso nas inércias e na ineficácia normativas, mas também nas incoerências que existem entre as diferentes normas, e na maneira pela qual os indivíduos, “façam” eles ou não a história, moldam e modificam as relações de poder.

LORIGA, S. A biografia como problema. In: REVEL, J. Jogos de escalas. A experiência da microanálise. Rio de Janeiro: FGV, 1998 (adaptado).

TEXTO II

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve Você pode e você deve, pode crer Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu Num quer dizer que você tenha que sofrer Até quando você vai ficar usando rédea Rindo da própria tragédia? Até quando você vai ficar usando rédea Pobre, rico ou classe média?

GABRIEL, O PENSADOR. Até quando? In: Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

O Texto II enfatiza a seguinte ideia expressa no Texto I:

✓
Protagonismo do cidadão.
B
Pacificação da população.
C
Desintegração da coletividade.
D
Condicionamento dos estudantes.
E
Sindicalização dos trabalhadores.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

A questão pede que você ligue a letra do rap de Gabriel, o Pensador à ideia do Texto I sobre movimentos sociais e indivíduos que modificam as relações de poder.

O Texto I diz que, por meio de movimentos sociais, os indivíduos, "façam ou não a história", moldam e modificam as relações de poder, rompendo homogeneidades aparentes. A música convoca exatamente isso: "não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta", "levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve". Ela critica a passividade ("até quando você vai ficar usando rédea") e chama o ouvinte à ação.

Ou seja, a canção cobra que cada pessoa seja agente de transformação, em vez de aceitar o sofrimento como destino. Isso é protagonismo do cidadão.

A resposta correta é o protagonismo do cidadão. A pacificação da população vai contra o apelo ao protesto. A desintegração da coletividade contraria o chamado à luta coletiva (greves, protestos). O condicionamento dos estudantes não aparece nos textos, que não tratam de escola. A sindicalização dos trabalhadores é restrita demais: a greve é só um exemplo dentro de uma convocação mais ampla à participação.

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