Questão 79 do ENEM 2024 — Filosofia
A regra de ouro, popularmente conhecida pelo provérbio “Trate os outros como gostaria de ser tratado”, é um dos princípios morais mais onipresentes. A noção subjacente, que apela para o senso ético mais básico, se expressa de uma forma ou de outra em praticamente todas as tradições religiosas, e poucos filósofos morais deixaram de invocar a regra ou pelo menos de tecer comentários a respeito da relação com seus próprios princípios.
O princípio ético apresentado no texto, como elemento estruturante da vida em sociedade, se traduz pela seguinte formulação teórica:
Resolução comentada
O texto apresenta a chamada regra de ouro, "trate os outros como gostaria de ser tratado", princípio presente em tradições religiosas e retomado por muitos filósofos morais. O enunciado pede a formulação teórica que a traduz como fundamento da vida em sociedade.
A ideia central da regra é a universalização da conduta: agir apenas segundo o que se poderia querer que valesse para todos, independentemente de gostos, interesses ou resultados. Essa é a estrutura do imperativo categórico de Kant: "age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal". Trata-se de um dever incondicional, que vale por si mesmo, sem depender de consequências. Por isso a alternativa que cita o imperativo categórico é a que melhor traduz o princípio descrito.
Os demais itens deslocam o foco. O pensamento utilitarista e o raciocínio consequencialista avaliam a ação pelos resultados, como a maior felicidade para o maior número, enquanto a regra de ouro se baseia na reciprocidade e na universalidade da norma, e não no cálculo de efeitos. A doutrina teleológica julga a ação pela finalidade a que ela serve, também lógica distinta. Já a "secularização inautêntica" não corresponde a nenhuma formulação ética: o texto, inclusive, destaca que a regra aparece em tradições religiosas, sem tratar de processo de laicização.