Questão 65 do ENEM 2024 — História
Vertigem e aceleração do tempo: essa seria a sensação mais forte experimentada pelos homens e mulheres que viviam ou circulavam pelas ruas do Rio de Janeiro na virada do século XIX para o século XX. O mesmo sentimento estaria presente nas principais cidades brasileiras, que recebiam levas de imigrantes europeus que atravessavam o Atlântico em busca do sonho de fazer a América. O progresso tudo parecia arrebatar em sua corrida desenfreada. Marasmo: assim, nas fazendas, nas vilas do interior e nos sertões do país, essa mesma virada do século seria percebida. Ali, nada parecia romper uma rotina secular, firmemente alicerçada no privilégio, na inviolabilidade da vontade senhorial dos coronéis.
NEVES, M. S. Os cenários da República: o Brasil na virada do século XIX para o século XX. In: DELGADO, L. A. N.; FERREIRA, J. L. (Org.). Brasil republicano: Estado, sociedade civil e cultura política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003 (adaptado).
Os cenários descritos no texto, referentes à Primeira República no Brasil, evidenciam a(s)
Resolução comentada
A questão pede que você interprete o que o texto revela sobre a Primeira República (1889-1930): dois cenários distintos convivendo no mesmo país.
De um lado, as grandes cidades, como o Rio de Janeiro, vivem "vertigem e aceleração do tempo": modernização urbana, imigração europeia, ideia de progresso. De outro, nas fazendas, vilas do interior e sertões, prevalece o "marasmo", uma rotina secular apoiada no privilégio e na vontade senhorial dos coronéis, característica da política coronelista e do mandonismo local. O texto, portanto, contrasta o ritmo urbano e o rural, o moderno e o tradicional.
Esse contraste expressa diferenças entre dinâmicas socioculturais: o Brasil republicano combinava polos modernizantes e áreas de poder oligárquico pouco transformadas.
As outras opções não se encaixam: não há convergência de ideais civilizatórios, pois o texto fala justamente em ritmos opostos; nada indica retração de incentivos governamentais nem ineficácia de políticas públicas; e a primazia de práticas agropastoris não explica o contraste, já que o texto também destaca o dinamismo urbano e a imigração.