Questão 47 do ENEM 2024 — História
Então, a arte urbana — a arte das catedrais — extraiu dos campos vizinhos o principal alimento de seu crescimento, e foram os esforços de inumeráveis pioneiros, desmatadores, plantadores de cepos, construtores de valas e de diques que, no êxito de uma imensa expansão produtiva, levaram à sua realização. Tendo como cenário novas colheitas e jovens vinhedos, ergueram-se as torres de Laon: esculpida na pedra, a figura dos bois de trabalho as coroa; nos capitéis de todas as catedrais florescem ramos de videiras. As fachadas de Amiens e de Paris representam o ciclo das estações por meio da imagem dos trabalhos do campo. Justa celebração: esse cultivador que afia sua foice, esse vinhateiro que talha, capina, ou faz suas mudas, com o trabalho, fizeram com que da terra brotasse o monumento. Ele é o fruto do campo, ou seja, de seu trabalho.
DUBY, G. O tempo das catedrais: a arte e a sociedade — 980-1420. Lisboa: Estampa, 1993 (adaptado).
O texto traz uma reflexão sobre o patrimônio artístico urbano medieval e o seu desenvolvimento, relacionado com a(s)
Resolução comentada
A questão pede que você identifique, no texto de Georges Duby, o fator que sustentou o florescimento da arte das catedrais medievais.
O autor afirma que a arte urbana "extraiu dos campos vizinhos o principal alimento de seu crescimento". Ele cita desmatadores, plantadores, construtores de valas e diques e uma "imensa expansão produtiva": é o grande avanço agrícola da Idade Média Central, com ampliação de terras cultivadas e de colheitas. As esculturas confirmam essa ideia, pois os bois de trabalho, as videiras e o ciclo das estações do trabalho no campo decoram as catedrais, e o texto conclui que o monumento é "o fruto do campo, ou seja, de seu trabalho".
Perceba que o foco recai sobre os camponeses que cultivam a terra e criam animais, e não sobre quem comandava a sociedade ou sobre o comércio.
A resposta é a cultura agropecuária. A aristocracia feudal e as ordens monásticas existiam, mas o texto não as apresenta como motor do desenvolvimento, e sim os trabalhadores rurais anônimos. Feiras internacionais e manufaturas regionais estão ligadas ao comércio e ao artesanato urbano, que não são mencionados: o texto destaca o campo como origem da riqueza.