Questão 36 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa

Há quem ache difícil a leitura das bulas de remédios por causa das letras reduzidas e dos termos técnicos que deixam a compreensão das informações mais complicada. Mas as indústrias já oferecem alternativas para ajudar na leitura e no entendimento da bula. Consultar a bula sem orientação médica pode ser perigoso e causar ainda mais problemas para o paciente, segundo um médico endocrinologista. “Ele pode ler alguns termos técnicos e fazer má interpretação da bula, levando a prejuízos no tratamento. Qualquer dúvida, é mais interessante tirá-la com o médico que prescreveu o medicamento.”, explica. Para facilitar o entendimento das informações que constam das bulas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentou algumas características com relação ao formato e à linguagem usada. “A bula obrigatória vem com perguntas e respostas, em termos simples e compreensíveis, e ficou de mais fácil leitura. A indústria é obrigada a oferecer bula em áudio, ou pode vir em tamanho maior ou em braile. O paciente, entrando em contato com a indústria, tem até dez dias para receber esse material.”, afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).

Considerando a função social do gênero reportagem, a estratégia empregada nesse texto para dar credibilidade às informações apresentadas é a

A
supressão de marcas de informalidade.
B
utilização de exemplificações.
C
referência a fatos recentes.
D
interlocução com o leitor.
✓
fala de especialistas.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

A questão pede que você identifique a estratégia que a reportagem usa para dar credibilidade às informações, considerando que a função social do gênero é informar com base em fontes confiáveis.

Observe como o texto organiza as informações. Depois de apresentar o problema (a dificuldade de ler bulas), ele traz declarações entre aspas atribuídas a profissionais com autoridade no assunto: "segundo um médico endocrinologista", com a fala "Ele pode ler alguns termos técnicos e fazer má interpretação da bula", e depois a fala do "presidente do Conselho Regional de Farmácia", que explica que "a bula obrigatória vem com perguntas e respostas" e que o paciente "tem até dez dias para receber esse material". Também há a menção à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que regulamentou as características da bula.

Ao ouvir especialistas ligados à saúde e à regulamentação, a reportagem apoia seus dados em vozes que têm competência reconhecida no tema, e é isso que a torna confiável para o leitor.

A resposta é a fala de especialistas. A retirada de marcas de informalidade não é a estratégia que dá credibilidade, porque credibilidade vem da fonte, não do registro. As exemplificações não aparecem como recurso central. A referência a fatos recentes não é o que o texto faz, já que ele trata de uma regulamentação geral. E a interlocução com o leitor não sustenta a veracidade dos dados, pois informar sobre a bula não depende de dirigir-se diretamente a quem lê.

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