Questão 30 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa

Aplicativos de rastreamento ajudam os pais a manter o controle — mas até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade das famílias? Uma mãe estava ansiosa por saber se o seu filho havia retornado com segurança ao apartamento dele no Texas, nos Estados Unidos, depois de uma recente visita à família. Mas, em vez de esperar que ele ligasse ou enviasse uma mensagem de texto, a mãe — que mora em Baltimore, também nos EUA — estava cuidando das suas tarefas diárias enquanto aguardava um som tranquilizador — um plim — no seu telefone. Isso porque, como 32 milhões de outras pessoas em todo o mundo, Spector e toda a sua família têm o aplicativo instalado nos seus telefones.

O aplicativo controla permanentemente o paradeiro dos seus três filhos, informando a ela quando eles estão em trânsito, quando estão em segurança em casa, se estão em algum lugar onde não deveriam estar e enviando uma série de outras informações. “Se eles chegam à escola, o celular faz plim. Se eles chegam em casa, plim”, conta Spector, que é advogada de patentes. “É apenas uma forma de a família saber onde todos estão.”.

Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 24 nov. 2021 (adaptado).

Nesse texto, o aplicativo que permite o rastreamento dos usuários reflete condições sociais e configurações de família definidas pela

A
intenção de fortalecer o conceito de segurança.
B
proposta de avançar nas tecnologias de localização.
C
ampliação das redes tradicionais de proteção à infância.
D
facilidade de comunicação instantânea entre vários interlocutores.
✓
marca da vigilância na construção da autonomia dos indivíduos.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

A questão pede que você relacione o aplicativo de rastreamento às condições sociais e à configuração de família que o texto retrata.

O texto apresenta uma mãe que acompanha os filhos pelo celular: "Se eles chegam à escola, o celular faz plim. Se eles chegam em casa, plim". O aplicativo "controla permanentemente o paradeiro" dos filhos e informa se estão "em algum lugar onde não deveriam estar". O subtítulo já levanta a dúvida: "até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade das famílias?". Há, portanto, um monitoramento constante, que se justifica como cuidado, mas que interfere na liberdade dos filhos.

A resposta é a marca da vigilância na construção da autonomia dos indivíduos: a família passa a ser definida por um controle que condiciona o modo como os filhos ganham independência.

As outras opções ficam na superfície. Fortalecer o conceito de segurança ou avançar nas tecnologias de localização descrevem a finalidade e o recurso técnico, não a condição social em jogo. Ampliar as redes tradicionais de proteção à infância não aparece no texto. E a comunicação instantânea entre vários interlocutores é característica do aplicativo, mas não explica a configuração familiar vigiada.

Quer treinar Língua Portuguesa para o ENEM de verdade?
Crie sua conta grátis: 10 questões por dia com correção na hora, simulados no formato da prova e estatísticas do seu desempenho.
Começar grátis