Questão 56 do ENEM 2024 — História
Os salões permitiam aos escritores da época do Iluminismo adentrar no universo dos poderosos. Figuras como as de Voltaire e Duclos exortavam seus “irmãos” a aproveitarem da mobilidade que era oferecida pela ordem social do Antigo Regime, juntando-se à elite. Nos últimos decênios do Ancien Régime, ele foi se tornando cada vez mais o reduto dos filósofos do Alto Iluminismo, que deixavam os cafés para os tipos inferiores de literário. Com efeito, os cafés se constituíram na antítese lógica dos salões. Eles eram abertos a todos, a um passo da rua. Como é possível constatar, salões e cafés constituem interessantes instituições do espaço público literário através das quais é possível vislumbrar as bases sociais nas quais se assentavam o Alto e o Baixo Iluminismo.
No período iluminista, os espaços sociais mencionados contribuíram para
Resolução comentada
O texto compara dois espaços de sociabilidade do Iluminismo no Antigo Regime: os salões, frequentados pela elite e pelos filósofos do "Alto Iluminismo", que ali se aproximavam dos poderosos, e os cafés, "abertos a todos, a um passo da rua", onde ficavam os literatos de posição social inferior (o "Baixo Iluminismo"). O autor os chama de "instituições do espaço público literário".
Veja o duplo efeito. Por um lado, os intelectuais se separavam conforme a origem e o prestígio: os mais bem situados ficavam nos salões e deixavam os cafés para os "tipos inferiores", o que indica uma segregação social entre os pensadores. Por outro, ambos os espaços reuniam pessoas para ler, conversar e debater, o que ampliava a circulação das ideias iluministas e formava a opinião pública. A opção que une essas duas ideias, segregar pensadores e aumentar a circulação de ideias, é a que decorre do texto.
Os distratores trazem afirmações sem apoio no documento. Não se diz que os salões e cafés apoiavam revolucionários e perseguiam a nobreza, pois os salões, ao contrário, aproximavam escritores dos poderosos. Também não há menção a rejeitar poetisas ou proibir mulheres (aliás, os salões eram, historicamente, animados por mulheres). Não se fala em censura a cronistas nem em coibir o patrocínio, que na verdade era favorecido pelos salões. E integrar artistas e ampliar o comércio urbano desloca o foco do debate intelectual para uma questão que o texto não aborda.