Questão 50 do ENEM 2024 — Sociologia
TEXTO 1
“As novelas brasileiras foram as primeiras a aparecer na TV russa ainda na época de Gorbachov, nos anos 1980. Elas causaram sensação. Houve casos anedóticos, como quando o Parlamento da Federação Russa terminou a sessão mais cedo para ver o último capítulo de Escrava Isaura”, conta o russo Anatoli Sostanov, consultor na área de TV internacional e ex-diretor da emissora estatal russa Canal.
TEXTO 2
As novelas de maior impacto em Angola foram as produções brasileiras. Fizeram tanto sucesso que um mercado popular, na época era o maior a céu aberto na África, chegou a receber o nome de Roque Santeiro, novela brasileira exibida naquele país na década de 1980. A influência das produções brasileiras fez com que os angolanos conhecessem o Brasil por meio das novelas. Além de entreter, os folhetins brasileiros até hoje ditam a moda em Angola. Figurinos e acessórios de personagens se transformam em uma verdadeira febre e influenciam o comportamento.
Embora situados em continentes diferentes com práticas sociais distintas, Rússia e Angola se aproximam, conforme os textos 1 e 2, no aspecto
Resolução comentada
Os dois textos relatam o sucesso de telenovelas brasileiras em países muito distantes entre si: na Rússia, a partir dos anos 1980, ao ponto de o Parlamento encerrar uma sessão mais cedo para acompanhar o último capítulo de Escrava Isaura; em Angola, onde um mercado popular chegou a ser batizado de "Roque Santeiro" e onde figurinos e acessórios de personagens viram moda. O enunciado pede o aspecto em que países com práticas sociais diferentes se aproximam.
O ponto em comum é cultural: nos dois casos, a produção da teledramaturgia estrangeira foi incorporada ao cotidiano. O texto de Angola é claro ao dizer que as novelas "ditam a moda" e "influenciam o comportamento". Isso é a subjetivação de costumes: o público assimila gostos, modos de vestir e de agir apresentados na tela e os faz seus. É um exemplo de circulação internacional de bens simbólicos pela indústria cultural.
Veja por que os outros enfoques falham. O aspecto econômico não procede: o texto cita o nome de um mercado e a moda inspirada nos personagens, mas não fala em importação de confecções de estilistas famosos. O enfoque geográfico trata de "encurtar distâncias ideológicas", o que o texto não afirma, já que ele só mostra a influência cultural. A opção antropológica fala em adaptar valores de povos tradicionais, quando os textos tratam do consumo de um produto da indústria cultural. E o aspecto político, com adoção de governos democráticos, não tem apoio nenhum nos trechos, que se referem a lazer e comportamento.