Questão 42 do ENEM 2024 — Artes

Cavaquinhos e família

É fundamentalmente no Minho, norte de Portugal, que o cavaquinho aparece como instrumento tipicamente popular, ligado às formas essenciais da música característica dessa província. O cavaquinho minhoto tem escala rasa com o tampo, o que facilita a prática do “rasqueado”. O cavaquinho chega ao Brasil diretamente de Portugal, e o modelo brasileiro é maior do que a sua versão portuguesa, com uma caixa de ressonância mais funda. Semelhante ao cavaquinho minhoto, o machete, ou machetinho madeirense, é um pequeno cordófono de corda dedilhada, que faz parte da grande e diversificada família das violas de mão portuguesas. O ukulele tem a sua origem no século 19, tendo como ancestrais o braguinha (ou machete) e o rajão, instrumentos levados pelos madeirenses quando eles emigraram para o Havaí.

Oconjunto dessas práticas musicais demonstra que os instrumentos mencionados no texto

A
refletem a dependência da utilização de matéria-prima europeia.
✓
adaptam suas características a cada cultura, assumindo nova identidade.
C
comprovam a hegemonia portuguesa na invenção de cordófonos dedilhados.
D
ilustram processos de dominação cultural, evidenciando situações de choque cultural.
E
mantêm nomenclatura própria para garantir a fidelidade às formas originais de confecção.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

O texto, de caráter expositivo e histórico-cultural, acompanha a "família" dos instrumentos de cordas dedilhadas: do cavaquinho minhoto, em Portugal, ao cavaquinho brasileiro, ao machete madeirense e ao ukulele havaiano. A pergunta pede o que o conjunto dessas práticas demonstra.

Repare nos verbos e comparações do texto. O cavaquinho "chega ao Brasil diretamente de Portugal", mas "o modelo brasileiro é maior [...] com uma caixa de ressonância mais funda". O ukulele tem origem no século 19 e tem como ancestrais o braguinha e o rajão, "levados pelos madeirenses quando eles emigraram para o Havaí". Em cada novo lugar, o instrumento muda de forma, de tamanho e até de nome. Isso mostra que ele adapta suas características a cada cultura e assume nova identidade, o que é a alternativa correta.

Os distratores impõem ideias que o texto não sustenta. Falar em dependência de matéria-prima europeia não aparece em nenhum momento. A afirmação de que o texto comprova a hegemonia portuguesa na invenção dos instrumentos ignora que o texto destaca as transformações, e não a superioridade de quem criou. A ideia de dominação cultural e choque cultural também não cabe: o que se vê é circulação e reinvenção feita pelos próprios migrantes. Por fim, a manutenção de nomenclatura própria para garantir fidelidade às formas originais contradiz o texto, pois os instrumentos mudam de forma e de nome, como braguinha, machete e ukulele.

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