Questão 40 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa
Expressões e termos utilizados no Amazonas são retratados em livro e em camisetas
“Na linguagem, podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo”, afirmou o doutor em linguística e professor da Ufam em seu livro Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas. Portanto, o amazonense, com todas as suas “cunhantãs” e “curumins”, acaba por encontrar um lugar no mundo e formar uma unidade linguística, informalmente denominada de português “caboco”, que muito se diferencia do português “mineiro”, “gaúcho”, “carioca” e de tantos outros espalhados pelo Brasil. O livro, que conta com cerca de 1100 expressões e termos típicos do falar amazonense, levou dez anos para ser construído. Para o autor, o principal objetivo da obra é registrar a linguagem.
Um designer amazonense também acha o amazonês “xibata”, tanto é que criou uma série de camisetas estampadas com o nome de Caboquês Ilustrado, que mistura o bom humor com as expressões típicas da região. A coleção conta com sete modelos já lançados, entre eles: Leseira Baré, Xibata no Balde e Até o Tucupi, e 43 ainda na fila de espera. Para o criador, as camisas têm como objetivo “resgatar o orgulho do povo manauara, do povo do Norte”.
A reportagem apresenta duas iniciativas: o livro Amazonês e as camisetas do Caboquês Ilustrado. Com temática em comum, essas iniciativas
Resolução comentada
O texto é uma reportagem sobre duas iniciativas de valorização do falar amazonense: o livro Amazonês, de um linguista da Ufam, e a coleção de camisetas Caboquês Ilustrado, de um designer. A questão pede o ponto em comum entre elas.
Em ambas aparece a ideia de registro e orgulho do modo de falar local. O linguista afirma que "o principal objetivo da obra é registrar a linguagem", com "cerca de 1100 expressões e termos típicos"; o designer quer "resgatar o orgulho do povo manauara, do povo do Norte" por meio de expressões como "Xibata no Balde" e "Leseira Baré". Livro e camisetas, portanto, valorizam o repertório linguístico do povo do Amazonas, que é a alternativa correta.
Os distratores escolhem aspectos que valem para apenas uma das iniciativas, ou nem isso. A ideia de recomendar produtos de empreendedores da região Norte parece publicidade, mas o texto não faz recomendação de compra. Ressaltar diferenças entre o falar manauara e outros falares aparece só na fala sobre o português "caboco" frente a "mineiro", "gaúcho" e "carioca", mas não é o objetivo das iniciativas, que é valorizar e não comparar. Reverenciar o trabalho de pesquisadores brasileiros só vale para o livro. E destacar a descontração do jeito de ser do amazonense corresponde ao humor das camisetas, mas não ao livro, que é um trabalho de registro linguístico, e por isso não é o ponto em comum.