Questão 20 do ENEM 2024 — Educação Física
Por trás do universo “masculino” das lutas, é cada vez mais notório o aumento da participação de mulheres nessa prática corporal. Algumas situações reforçam esse fenômeno de ocupação em ambientes de lutas: a inclusão de mulheres em combates de artes marciais mistas, ou MMA, a transmissão televisiva de lutas de mulheres e a criação de horários específicos para elas em academias que ensinam lutas. Uma pesquisa científica mostrou menor participação e mobilização das meninas em comparação com os meninos nas aulas de Educação Física. Entre as justificativas discentes para essa situação está o fato de que eles relacionam a luta como uma expressão corporal masculina e, por consequência, não adequada aos interesses femininos. Dessa forma, o ensino de lutas nas aulas de Educação Física é atravessado por tensões relacionadas às questões de gênero e sexualidade, o que, por sua vez, pode favorecer a sua exclusão do conteúdo próprio da disciplina.
Segundo o texto, apesar do aumento da participação de mulheres em lutas, a realidade na escola ainda é diferente em razão do(a)
Resolução comentada
O texto, de caráter expositivo-argumentativo, trata da presença feminina nas lutas. Primeiro apresenta o avanço fora da escola (mulheres no MMA, lutas femininas na TV, horários específicos em academias) e depois mostra que, na Educação Física escolar, as meninas participam e se mobilizam menos que os meninos. A pergunta busca a causa dessa diferença, segundo o próprio texto.
A explicação vem no meio do parágrafo: os alunos "relacionam a luta como uma expressão corporal masculina e, por consequência, não adequada aos interesses femininos". A seguir, o texto conclui que o ensino de lutas é "atravessado por tensões relacionadas às questões de gênero e sexualidade". Perceba que a justificativa é uma associação cultural entre luta e masculinidade, isto é, a masculinização da modalidade, que leva as meninas a se sentirem fora do lugar.
Por isso a alternativa que aponta a masculinização dessa modalidade é a que responde ao que o texto afirma.
Quanto aos distratores: a esportivização do conteúdo não aparece em nenhum momento; o texto não discute o caráter esportivo das lutas. O enfoque midiático é citado como fator que reforça a presença feminina (a transmissão de lutas de mulheres), e não como obstáculo na escola. O trato pedagógico não é criticado, e o texto só diz que as tensões podem favorecer a exclusão do conteúdo. Já a marginalização do tema pela Educação Física é uma possível consequência, não a razão da diferença de participação.