Questão 14 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa
Memes e fake news: o impacto na educação das crianças
Há quem diga que o Brasil nunca mais foi o mesmo depois dos memes. Na economia da velocidade, alguns apostam no humor, outros no engajamento político, e tem gente investindo alto na mentira também. Diante desse cenário, uma pergunta se torna essencial: será que todo mundo está conseguindo traduzir as mensagens postadas, curtidas e compartilhadas?
Essa dúvida incentivou uma professora de língua portuguesa a desenvolver uma proposta de leitura e análise crítica de memes com estudantes do ensino fundamental, na rede pública do Distrito Federal, na cidade de Samambaia. “Percebi que muitos alunos e pais estavam divulgando conteúdos sem saber o que havia por trás das palavras”, relata a professora.
“O que antes era engraçado para os alunos passou a ser visto com outros olhos”, afirma a professora. Para ela, que utilizou a representação da criança em memes de WhatsApp como material gerador das discussões em sala de aula, aguçar o olhar sobre essas mensagens impacta diretamente a atitude de postar, curtir e compartilhar conteúdos ao estimular o uso consciente da informação que circula nas plataformas de mídia social.
Letramento político e midiático é um desafio intergeracional. Em tempos de notícias falsas, de imagens manipuladas e de memes sendo usados como triunfo da verdade de cada um, checagem de informação e interpretação de texto acabam se tornando moedas valiosas.
Ao abordar a relação dos memes com a educação, a reportagem sustenta uma crítica à
Resolução comentada
O texto é uma reportagem sobre o projeto de uma professora de língua portuguesa em uma escola pública de Samambaia (DF), que leva os alunos a ler criticamente memes de WhatsApp. O começo situa o problema: “tem gente investindo alto na mentira também” e “será que todo mundo está conseguindo traduzir as mensagens postadas, curtidas e compartilhadas?”.
A crítica fica clara nos trechos finais. A professora percebeu que alunos e pais “estavam divulgando conteúdos sem saber o que havia por trás das palavras”, e o texto conclui que, “em tempos de notícias falsas, de imagens manipuladas e de memes sendo usados como triunfo da verdade de cada um”, checar a informação e interpretar o texto são “moedas valiosas”. Ou seja, o que a reportagem critica é a divulgação de informação manipulada em postagens virtuais, e a escola aparece como lugar de formar leitores críticos.
A opção sobre a falta de fiscalização do uso de aplicativos por crianças não aparece: a professora não propõe controlar o acesso, e sim ensinar a ler. A que critica o uso de ferramentas digitais no trabalho educacional é contrariada pelo texto, que apresenta como positiva justamente a experiência com memes em sala de aula. A que trata de exploração de conteúdos humorísticos nas redes confunde o objeto de estudo com o alvo da crítica, porque o humor é apenas o material da aula. A que fala em mensagens com objetivos políticos é só um dos exemplos citados no começo; a crítica mais ampla recai sobre a manipulação de informações, não sobre a política em si.