Questão 90 do ENEM 2023 — Geografia

A luta da Águia contra o Dragão na América Latina

No rescaldo da crise de 2008, as instituições financeiras chinesas (Banco de Desenvolvimento da China e Banco de Exportação e Importação da China) ofereceram crédito aos países latino-americanos que encontravam dificuldade para obter empréstimos nos mercados internacionais, como a Venezuela, a Argentina e o Equador. Mais flexível que os Estados Unidos, a China ofereceu a possibilidade de ser paga em commodities. Essa fórmula permitiu ao país garantir o suprimento de recursos naturais necessário para atender ao apetite crescente de sua classe média. Essa estratégia “ganha-ganha” deu frutos.

CORREA, A.-D. Le Monde Diplomatique Brasil, n. 171, out. 2021.

Para os países latino-americanos mencionados, a estratégia chinesa apresentada na reportagem resultou no(a)

A
realinhamento da parceria militar.
B
ampliação do protecionismo tarifário.
C
redução da dependência tecnológica.
D
endurecimento da legislação ambiental.
✓
redirecionamento do comércio externo.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

A questão pede que você identifique a consequência, para Venezuela, Argentina e Equador, da estratégia chinesa de oferecer crédito e aceitar pagamento em commodities. A resposta é o redirecionamento do comércio externo desses países.

O texto explica o contexto: depois da crise de 2008, bancos chineses emprestaram a países latino-americanos com dificuldade de crédito no mercado internacional. A China foi mais flexível que os Estados Unidos ao aceitar ser paga em commodities (petróleo, minérios, produtos agrícolas), o que lhe garantiu os recursos naturais exigidos por sua classe média em crescimento.

Se esses países passaram a quitar dívidas com mercadorias enviadas à China, sua pauta de exportações e seus parceiros comerciais mudaram: o fluxo de comércio se voltou para o mercado asiático, em detrimento de parceiros tradicionais como os Estados Unidos e a Europa.

A resposta é o redirecionamento do comércio externo. As outras opções não têm sustentação no texto: ele não fala em parceria militar, nem em protecionismo tarifário (que seria restringir importações), nem em legislação ambiental mais dura, e o fato de os países venderem matérias-primas e comprarem produtos industrializados tende a manter, e não a reduzir, a dependência tecnológica.

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