Questão 117 do ENEM 2023 — Física
Os raios cósmicos são fontes de radiação ionizante potencialmente perigosas para o organismo humano. Para quantificar a dose de radiação recebida, utiliza-se o sievert (Sv), definido como a unidade de energia recebida por unidade de massa. A exposição à radiação proveniente de raios cósmicos aumenta com a altitude, o que pode representar um problema para as tripulações de aeronaves. Recentemente, foram realizadas medições acuradas das doses de radiação ionizante para voos entre Rio de Janeiro e Roma. Os resultados têm indicado que a dose média de radiação recebida na fase de cruzeiro (que geralmente representa 80% do tempo total de voo) desse trecho intercontinental é 2 μSv/h. As normas internacionais da aviação civil limitam em 1 000 horas por ano o tempo de trabalho para as tripulações que atuem em voos intercontinentais. Considere que a dose de radiação ionizante para uma radiografia torácica é estimada em 0,2 mSv. RUAS, A. C. O tripulante de aeronaves e a radiação ionizante. São Paulo: Edição do Autor, 2019 (adaptado). A quantas radiografias torácicas corresponde a dose de radiação ionizante à qual um tripulante que atue no trecho Rio de Janeiro−Roma é exposto ao longo de um ano?
Resolução comentada
Na fase de cruzeiro (80% de 1000 h = 800 h), a dose é 2 μSv/h, totalizando 800 × 2 = 1600 μSv = 1,6 mSv por ano. Dividindo pela dose de uma radiografia (0,2 mSv), obtemos 1,6/0,2 = 8 radiografias.
O valor 10 é tentador para quem esquece de aplicar os 80% do tempo de cruzeiro e multiplica os 2 μSv/h pelas 1000 horas inteiras de trabalho, chegando a 2 mSv e, por consequência, a 10 radiografias — um erro de não filtrar apenas o tempo de voo em cruzeiro, que é a informação relevante dada no texto.