Questão 34 do ENEM 2022 — Língua Portuguesa

O SILÊNCIO APRISIONA
As pessoas acreditam que a violência doméstica acontece apenas com classes baixas, mas pesquisas mostram que 50% dos casos ocorrem com as classes média e alta.
Geralmente, a conduta agressiva contra a mulher começa com pequenos insultos, logo se seguem empurrões e pancadas.
“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta,
60% das mulheres
é sempre uma derrota.”
vítimas de agressão sofrem em
Jean-Paul Sartre
silêncio e não pedem ajuda, pois muitas sentem vergonha ou dependência emocional do agressor ou até mesmo se culpam pela violência sofrida.
Apenas 40% das agressões são denunciadas.
NÃO SOFRA CALADA. Vá até uma das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e denuncie.
Disponível em: http://aindaexisteluz.blogspot.com. Acesso em: 10 maio 2013. Ao abordar a temática da violência contra a mulher, o cartaz conjuga as linguagens verbal e não verbal para
Resolução comentada
A questão pede que você identifique a finalidade do cartaz ao combinar as linguagens verbal e não verbal ao tratar da violência contra a mulher.
Leia o texto verbal. O título, "O silêncio aprisiona", já nomeia o problema. Os dados mostram que 60% das vítimas sofrem em silêncio e só 40% das agressões são denunciadas, e o motivo é apontado: vergonha, dependência emocional e culpa. Em seguida vem a convocação direta, com verbos no imperativo: "NÃO SOFRA CALADA. Vá até uma das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e denuncie." A imagem do cartaz acompanha o título e reforça o tema do silêncio e da prisão que ele representa, enquanto a epígrafe de Sartre reforça a condenação da violência.
A resposta correta é a que diz que o cartaz busca mobilizar a vítima para denunciar as agressões sofridas. Imperativo, segunda pessoa e indicação de onde buscar ajuda mostram a função apelativa (conativa): o texto quer provocar uma ação do leitor.
As outras ideias descrevem algo que o cartaz não faz. Ele não expressa a reação da sociedade ao crime, não analisa em profundidade as consequências do sofrimento nem discute o comportamento psicológico do agressor, que aparece apenas de passagem, quando se fala em dependência emocional da vítima. Os dados e a citação são usados como argumentos para convencer a mulher a agir, e não como objeto de uma análise.