Questão 14 do ENEM 2021 — Artes
A crise dos refugiados imortalizada para sempre no fundo do mar

TAYLOR, J. C. A balsa de Lampedusa. Instalação. Museu Atlântico, Lanzarote, Canárias, 2016 (detalhe)
A balsa de Lampedusa, nome da obra do artista britânicos Jason de Caires Taylor, é uma das instalações criadas por ele para compor o acervo do primeiro museu submarino da Europa, o Museu Atlântico, localizado em Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago das Canárias.
Lampedusa é o nome da ilha italiana onde a grande maioria dos refugiados que saem da África ou de países como Síria, Líbano e Iraque tenta chegar para conseguir asilo no continente europeu.
As esculturas do Museu Atlântico icam a 14 metros de profundidade nas águas cristalinas de Lanzarote.
Na balsa, estão dez pessoas. Todas têm no rosto a expressão do abandono. Entre elas, há algumas crianças. Uma delas, uma menina debruçada sobre a beira do bote, olha sem esperança o horizonte. A imagem é tão forte que dispensa qualquer palavra. Exatamente o papel da arte.
Disponível em: http://conexaoplaneta.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).
Além de apresentar ao público a obra A balsa de Lampedusa, essa reportagem cumpre, paralelamente, a função de chamar a atenção para
Resolução comentada
Ao descrever a escultura submersa e concluir que “a imagem é tão forte que dispensa qualquer palavra. Exatamente o papel da arte”, a reportagem generaliza sua mensagem: mais do que só noticiar essa obra específica, ela chama atenção para o papel da arte como perpetuadora de episódios marcantes da humanidade de que têm de ser relembrados para que não tornem a acontecer.
É tentador focar apenas na leitura sobre o museu como memorial para os imigrantes mortos, já que é exatamente disso que a obra trata — mas o texto vai além dessa leitura pontual: a frase final generaliza a reflexão para o papel da arte como um todo.