Questão 62 do ENEM 2020 — Geografia
Gifford Pinchot, engenheiro florestal treinado na Alemanha, criou o movimento de conservação dos recursos, apregoando o seu uso racional. Na verdade, Pinchot agia dentro de um contexto de transformação da natureza em mercadoria. Na sua concepção, a natureza é frequentemente lenta e os processos de manejo podem torná-la eficiente; acreditava que a conservação deveria basear-se em três princípios: o uso dos recursos naturais pela geração presente, a prevenção de desperdício e o uso dos recursos naturais para benefício da maioria dos cidadãos.
DIEGUES, A. C. S. O mito moderno da natureza intocada. São Paulo: Hucitec; Edusp, 2000.
A atual concepção de desenvolvimento sustentável diferencia-se da proposta de Gifford Pinchot, do fim do século XIX, pelo foco na
Resolução comentada
A questão pede a principal diferença entre o desenvolvimento sustentável atual e o conservacionismo de Gifford Pinchot, do fim do século XIX.
O texto mostra que Pinchot defendia o uso racional dos recursos, sem desperdício, em benefício da maioria, mas sempre pensando na geração presente. A natureza era tratada como mercadoria a ser manejada com eficiência. Já o conceito de desenvolvimento sustentável, consolidado no Relatório Brundtland (1987), exige atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas.
Por isso, a resposta correta é a que aponta o foco na valorização das necessidades futuras: é a dimensão intergeracional que a proposta de Pinchot não contemplava e que define a sustentabilidade atual.
As distratoras falham por motivos diferentes. A ideia de precificar as riquezas naturais combina com a visão de natureza-mercadoria do próprio Pinchot, e não com uma novidade do desenvolvimento sustentável. A desconstrução dos saberes tradicionais vai na contramão do conceito atual, que valoriza esses saberes. A contenção do crescimento econômico é uma ideia do decrescimento ou do preservacionismo radical, não do desenvolvimento sustentável, que busca conciliar crescimento e conservação. Por fim, a oposição aos ideais preservacionistas não define o conceito, que dialoga tanto com a conservação quanto com a preservação.