Questão 123 do ENEM 2020 — Biologia
Na tentativa de explicar o processo evolutivo dos seres humanos, em 1981, Lynn Margulis propôs a teoria endossimbiótica, após ter observado que duas organelas celulares se assemelhavam a bactérias em tamanho, forma, genética e bioquímica. Acredita-se que tais organelas são descendentes de organismos procariontes que foram capturados por alguma célula, vivendo em simbiose. Tais organelas são as mitocôndrias e os cloroplastos, que podem se multiplicar dentro da célula. A multiplicação dessas organelas deve-se ao fato de apresentarem
Resolução comentada
A questão pede a característica que permite à mitocôndria e ao cloroplasto se multiplicarem dentro da célula, de forma independente da divisão celular.
Segundo a teoria endossimbiótica, essas organelas descendem de procariontes. Uma organela só consegue se duplicar por si mesma se tiver o material que carrega a informação para isso. Mitocôndrias e cloroplastos possuem uma molécula de DNA circular própria (como o das bactérias), que se replica antes de a organela se dividir, de modo parecido com a fissão binária bacteriana.
Ribossomos próprios e maquinaria de síntese de proteínas também existem nelas, mas são o que permite fabricar proteínas, e não o que determina a capacidade de autoduplicação.
A resposta é DNA próprio. As demais ideias falham porque: ribossomos próprios (parecidos com os bacterianos) apenas produzem proteínas; a membrana dupla é uma evidência da endossimbiose (a membrana externa vem da vesícula de fagocitose), mas não explica a multiplicação; o código genético dessas organelas é praticamente o mesmo do restante da célula, com poucas variações; e a maquinaria de reparo do DNA não tem relação com a multiplicação.