Questão 8 do ENEM 2020 — Literatura
Slam do Corpo é um encontro pensado para surdos e ouvintes, existente desde 2014, em São Paulo. Uma iniciativa pioneira do grupo Corposinalizante, criado em 2008. (Antes de seguirmos, vale a explicação: o termo slam vem do inglês e significa — numa nova acepção para o verbo geralmente utilizado para dizer “bater com força” — a “poesia falada nos ritmos das palavras e da cidade”). Nos saraus, o primeiro objetivo foi o de botar os poemas em Libras na roda, colocar os surdos para circular e entender esse encontro entre a poesia e a língua de sinais, compreender o encontro dessas duas línguas. Poemas de autoria própria, três minutos, um microfone. Sem figurino, nem adereços, nem acompanhamento musical. O que vale é modular a voz e o corpo, um trabalho artesanal de tornar a palavra “visível”, numa arena cujo objetivo maior é o de emocionar a plateia, tirar o público da passividade, seja pelo humor, horror, caos, doçura e outras tantas sensações.
NOVELLI. O. Poesia incorporada. Revista Continente, n. 189. set. 2016 (adaptado).
Na prática artística mencionada no texto, o corpo assume papel de destaque ao articular diferentes linguagens com o intuito de
Resolução comentada
No Slam do Corpo, os poemas são apresentados tanto em português falado quanto em Libras, e o texto destaca que "o que vale é modular a voz e o corpo" para tornar a palavra "visível". Isso mostra que o corpo funciona como ferramenta para dar ritmo e visibilidade à poesia, unindo som e sinal em uma única performance.
Reduzir a prática a uma simples tradução de expressões verbais para a língua de sinais não reflete o texto, que deixa claro que se trata de um encontro entre duas línguas poéticas — a intenção não é traduzir mecanicamente um texto verbal, e sim criar uma experiência poética conjunta, sentida tanto por ouvintes quanto por surdos.