Questão 71 do ENEM 2020 — Geografia
O cântico da terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
CORALINA, C. Textos e contextos: poemas dos becos de Goiás e estórias mais. São Paulo: Global, 1997 (fragmento).
No contexto das distintas formas de apropriação da terra, o poema de Cora Coralina valoriza a relação entre
Resolução comentada
No poema, a terra fala diretamente ao lavrador, oferecendo tudo o que ele precisa para viver — arado, alimento, moradia — em uma relação de trabalho direto e cotidiano com o solo. Essa é a relação entre camponeses e uso da natureza: a terra como fonte de subsistência para quem nela planta e colhe.
Emprestar um sentido étnico ao poema é tentador, mas Cora Coralina fala do "lavrador" genérico, do camponês que planta a roça e lavra a gleba, não de povos indígenas nem de técnicas agroecológicas específicas — o texto celebra o trabalho camponês com a terra, não um manejo indígena.